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Questão FC831762

TEXTO 2 Ler nos ensina a falar e nos educa na arte do diálogo. “Os livros fazem os lábios”, costumava dizer há vinte séculos o mestre da retórica Quintiliano. Às vezes encontramos

Morfologia

Pró Reitoria GP CP2 · 2024

TEXTO 2 Ler nos ensina a falar e nos educa na arte do diálogo. “Os livros fazem os lábios”, costumava dizer há vinte séculos o mestre da retórica Quintiliano. Às vezes encontramos nas páginas, prodigiosamente transparentes, ideias e sentimentos que estavam confusos em nós mesmos e, com isso, o ofício de viver nos parece menos caótico. O vocabulário da nossa vida está naquilo que lemos. À nossa maneira, todos somos narradores e precisamos diariamente das palavras certas para contar e para contar-nos, para convencer e encantar aqueles que nos ouvem.

Por este motivo, quem lê é capaz de externar suas ideias com mais clareza, traduzir suas emoções em palavras, organizar e verbalizar seu percurso de aprendizagem. Como destaca o filósofo Gregorio Luri: “Leitura, escrita e fala são coisas unidas. Por meio da leitura reforçamos o significado das palavras que julgamos entender e aprendemos palavras novas. As crianças que leem mais falam e escrevem melhor. Nosso fracasso escolar é basicamente um fracasso linguístico. Inclusive em matemática.”

VALLEJO, Irene. Manifesto pela leitura. Disponível em: https://www.quatrocincoum.com.br. Acesso em: 21 out. 2023.

 

Considerando o estilo do texto de Irene Vallejo, os verbos ou os pronomes usados na primeira pessoa do discurso fazem referência a

  1. pessoas conhecidas pela autora.
  2. profissionais da leitura.
  3. profissionais da educação.
  4. estudantes de escolas públicas.
  5. pessoas em geral.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O uso de formas como “nos”, “nossa” e verbos em primeira pessoa do plural no texto cria uma voz coletiva. Essas marcas linguísticas não remetem a um indivíduo específico, mas a um grupo abrangente.

Expressões como “À nossa maneira, todos somos narradores” e estruturas impessoais do tipo “quem lê” generalizam a situação, apresentando uma observação sobre leitores em geral.

Portanto, a primeira pessoa do discurso funciona como mecanismo de generalização: o eu plural inclui e representa pessoas em geral, reforçando uma verdade compartilhada sobre a leitura e a linguagem.

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