Questão FC831784
Texto IV VENCE-DEMANDA EDUCAÇÃO: radical vivo que monta, arrebata e alumbra os seres e as coisas do mundo. Fundamento assentado no corpo, na palavra, na memória e nos atos. Balaio
Semântica
Pró Reitoria GP CP2 · 2022
Texto IV
VENCE-DEMANDA
EDUCAÇÃO: radical vivo que monta, arrebata e alumbra os seres e as coisas do mundo. Fundamento assentado no corpo, na palavra, na memória e nos atos. Balaio de experiências trançado em afeto, caos, cisma, conflito, beleza, jogo, peleja e festa. Seus fios são tudo aquilo que nos atravessa e toca. Encantamento de batalha e cura que nos faz como seres únicos de inscrições intransferíveis e imensuráveis. Repertório de práticas miúdas, cotidianas e contínuas, que serpenteiam no imprevisível e roçam possibilidades para plantar esperanças, amor e liberdade.
[...]
“Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”. Para cada uma delas que brota, um trato. Com o devido pedido de licença aos moradores do lugar, a folha se cata, macera, seca, queima, e se sopram palavras de força que despertem o que nela habita. As folhas nos ensinam, porém havemos de silenciar profundamente para ouvi-las. Encapsulados em um tempo do quebranto, assediados pelo olho grande e pela obsessão dos agentes contrários à vida, o que nos resta é nos munirmos de repertórios guerreiros. É possível afugentar o assombro, invocar espiritualidades que façam minguar as forças da demanda cuspida por bocas assassinas? Sim, é possível. A aposta está na educação, que é aqui lida como força de batalha e cura. Esse caráter duplo riscado nessas folhas, ao ser despertado pelo hálito e pelo ritmo do diálogo, saltará feito encantaria que dá corpo e caminho para a invocação de outros atos. Ao longo do folhear, serão despertadas sensações de cisma, implicação, rebeldia, amor, fúria e liberdade. Cantarei a educação com respeito e compromisso com as aprendizagens que foram plantadas nessa terra por muitas e muitos que vieram antes – os que fazem junto essa travessia e os que irão confiar a zelação das defesas compartilhadas. Dessas aprendizagens foi feito um plantio que une diversos corpos, memórias e saberes. Um roçado de esperanças que semeia nesse chão a aposta da educação como prática que tem como principal tarefa responder de forma responsável às injustiças produzidas pelo contínuo colonial. Da mesma folha se fazem o remédio e o veneno. Dosaremos, então, a medida para o cuidado e a defesa das aldeias da margem, a emenda das histórias, o porto das memórias, a vivacidade do corpo, os estímulos à alegria, o cultivo à beleza, o reconhecimento dos ciclos e a sensibilidade com as múltiplas formas que compreendem a existência como ecologia. Que possamos preparar nossas artes de cura e batalha e nos sagrarmos vencedores dessa demanda que insiste em nos espreitar.
RUFINO, L. Vence-demanda: educação e descolonização. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2021. p. 5-7.
“Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”.
No trecho acima, ocorre um fenômeno linguístico caracterizado pela semelhança entre as palavras “catar” e “cantar”. Esse fenômeno linguístico é conhecido como
- polissemia.
- paronímia.
- polifonia.
- ambiguidade.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Paronímia é o fenômeno em que duas ou mais palavras apresentam semelhança na forma ou na pronúncia, mas significados distintos. Essa proximidade sonora ou gráfica facilita jogos de sentido e também provoca confusões na escrita e na fala.
No exemplo do enunciado, as palavras catar e cantar são parônimas: grafia e sons próximos, sentidos diferentes. Em “Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”, o efeito retórico explora justamente essa semelhança para acentuar uma ideia poética e performativa.
Reconhecer parônimos ajuda a interpretar o texto e a evitar erros de uso. Muitas vezes autores fazem uso consciente dessa proximidade para criar trocadilhos, duplos sentidos ou efeitos de sonoridade.
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