Questão FC831791
TEXTO 1 Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o
Semântica
Pró Reitoria GP CP2 · 2024
TEXTO 1
Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.
Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o mundo, dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens. Precisamente por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais.
O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu.
Esta é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados deste direito. É preciso primeiro que os que assim se encontram negados no direito primordial de dizer a palavra reconquistem esse direito, proibindo que este assalto desumanizante continue.
Se é dizendo a palavra com que, pronunciando o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens.
1 Não nos referimos, obviamente, ao silêncio das meditações profundas em que os homens, numa forma só aparente de sair do mundo, dele “afastando-se” para “admirá-lo” em sua globalidade, com ele, por isto, continuam. Daí que estas formas de recolhimento só sejam verdadeiras quando os homens nelas se encontrem “molhados” de realidade e não quando, significando um desprezo ao mundo, sejam maneiras de fugir dele, numa espécie de “esquizofrenia histórica”.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2018. p. 108-109.
No texto, o termo “homens” denota indivíduos
- chefes de família.
- humanos em geral.
- de gênero masculino.
- falantes do português.
- da sociedade brasileira.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Homens no texto corresponde a humanos em geral. Paulo Freire usa o termo para tratar de uma condição universal: a capacidade de afirmar-se pela palavra, pelo trabalho e pela ação-reflexão.
O contexto apresenta generalizações sobre a transformação do mundo e o direito à fala, temas que se aplicam a toda a humanidade, não a um grupo biológico específico. A nota de rodapé reforça essa leitura ao distinguir formas de silêncio que envolvem a relação com a realidade.
Assim, a interpretação correta é a de que homens designa seres humanos enquanto sujeitos históricos e sociais, interessados na práxis e na reconquista do direito de falar.
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