Questão FC831792
TEXTO 1 Para viver em estado de poesia, me entranharia nestes sertões de você, para deixar a vida que eu vivia de cigania antes de te conhecer, de enganos livres que eu tinha porqu
Semântica
Pró Reitoria GP CP2 · 2024
TEXTO 1
Para viver em estado de poesia, me entranharia nestes sertões de você, para deixar a vida que eu vivia de cigania antes de te conhecer, de enganos livres que eu tinha porque queria, por não saber que mais dia menos dia eu todo me encantaria pelo todo do teu ser, pra misturar meia-noite e meio-dia e, enfim, saber que cantaria a cantoria que há tanto tempo queria a canção do bem-querer. É belo, vês, o amor sem anestesia, dói de bom, arde de doce, queima, acalma, mata, cria, chega tem vez que a pessoa que enamora se pega e chora do que ontem mesmo ria, chega tem hora que ri de dentro pra fora, não fica nem vai embora, é o estado de poesia.
CHICO CÉSAR. “Estado de poesia”.
A expressão que indica estilo coloquial poeticamente explorado pela canção de Chico César é
- “porque queria”.
- “chega tem vez”.
- “cantaria a cantoria”.
- “meia-noite e meio-dia”.
- “nestes sertões de você”.
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Gabarito
B
Comentário do professor
"chega tem vez" funciona como marca de coloquialidade porque reproduz a fala cotidiana: omite conjunções e articulações formais, usa sintaxe solta e economia de palavras. Essa compressão cria sensação de oralidade, como quem fala sem pensar em norma rígida.
A expressão apresenta contração/omissão implícita de elementos sintáticos (por exemplo, "chega, tem vezes" ou "chega que tem vez"), típica do registro popular. Essa fragmentação favorece o ritmo e a musicalidade, alinhando-se ao caráter cantado do texto.
Em termos estilísticos, a sequência gera imediatismo e intimidade: soa espontânea, coloquial e afetiva, aproximando o ouvinte. Assim, Chico César explora recursos da fala comum para produzir efeito poético e melódico, transformando um enunciado simples em imagem emocional.
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