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Questão FC831800

TEXTO 1 Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o

Semântica

Pró Reitoria GP CP2 · 2024

TEXTO 1

 

Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

 

Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o mundo, dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens. Precisamente por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais.

 

O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu.

 

Esta é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados deste direito. É preciso primeiro que os que assim se encontram negados no direito primordial de dizer a palavra reconquistem esse direito, proibindo que este assalto desumanizante continue.

 

Se é dizendo a palavra com que, pronunciando o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens.

 

1 Não nos referimos, obviamente, ao silêncio das meditações profundas em que os homens, numa forma só aparente de sair do mundo, dele “afastando-se” para “admirá-lo” em sua globalidade, com ele, por isto, continuam. Daí que estas formas de recolhimento só sejam verdadeiras quando os homens nelas se encontrem “molhados” de realidade e não quando, significando um desprezo ao mundo, sejam maneiras de fugir dele, numa espécie de “esquizofrenia histórica”.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2018. p. 108-109.

 

Ao destacar a preposição “para” no segundo parágrafo, o autor enfatiza o valor semântico de

  1. modo.
  2. negação.
  3. finalidade.
  4. destinação.
  5. companhia.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Destinação. A preposição para assinala o sentido de finalidade ou rumo da ação indicada no enunciado: aquilo que se faz tem um objetivo ou destinatário.

No contexto do trecho, para destaca que a palavra e a práxis não são atos isolados, mas orientados para transformar o mundo. Ou seja, a fala e o trabalho possuem uma direção intencional, uma finalidade transformadora.

Assim, o realce de para sublinha a natureza teleológica da ação humana proposta por Freire: os atos de dizer e agir não têm valor neutro, mas uma destinação concreta, voltada à modificação da realidade e à afirmação do direito de todos à palavra.

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