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Questão FC831802

Ao propor o desenvolvimento de um sujeito afetivamente inatacável, sem considerar as etapas que levam a ele e sem propor caminhos para a sua (auto) construção, a BNCC presta um des

Semântica

Pró Reitoria GP CP2 · 2022

Texto V

ESCOLA E AFETOS: UM ELOGIO DA RAIVA E DA REVOLTA

 

A escola transformadora não suprime a rebeldia e nem a condena de antemão. Ao contrário, busca desvelar suas causas, canalizando o rancor destrutivo para o questionamento das injustiças e propondo ações para sua transformação. A raiva e a rebelião são entendidas como parte do processo para a formação de indivíduos autônomos, capazes de crítica e reflexão.

 

Ao propor o desenvolvimento de um sujeito afetivamente inatacável, sem considerar as etapas que levam a ele e sem propor caminhos para a sua (auto) construção, a BNCC presta um desserviço a alunos e educadores, responsabilizando-os previamente pelos maus resultados que surgirão. Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça escolhas “livres e com autonomia” para seu “projeto de vida” numa comunidade miserável e embrutecida pela violência? De que maneira sugerir “resiliência” à estudante que enfrenta o assédio no transporte público a caminho de uma escola sem infraestrutura e sem professor? Como cobrar que educadores e educadoras “promovamos direitos humanos” quando seu direito constitucional à greve é duramente reprimido pelas forças do Estado?

Vivemos num mundo injusto e num país abissalmente desigual. É compreensível e indispensável que alunos e professores sintam raiva, que se indignem. Que a escola esteja a serviço da transformação da indignação em ação, trabalhando a raiva e a revolta como insumo básico nas discussões dos aspectos afetivos no ambiente escolar.

 

RATIER, R.. Educação contra a barbárie. São Paulo: Boitempo, 2019. p. 156-157.

 

“A escola transformadora não suprime a rebeldia e nem a condena de antemão. Ao contrário, busca desvelar suas causas, canalizando o rancor destrutivo para o questionamento das injustiças e propondo ações para sua transformação”.

 

O elemento destacado no fragmento acima exerce um papel sintático-semântico de valor

  1. aditivo
  2. assertivo
  3. alternativo
  4. adversativo
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Gabarito

D

Comentário do professor

Ao contrário atua como um conectivo que estabelece relação de contraste entre as orações. Sintaticamente, introduz a oração seguinte para opor-se ao enunciado anterior; semanticamente, sinaliza que a segunda ideia corrige ou compensa a primeira. Em termos práticos, cumpre a função adversativa.

No exemplo, a primeira oração nega a supressão da rebeldia; a expressão ao contrário anuncia que a ação da escola é oposta a essa negação, apresentando comportamento distinto. Pode ser substituída por conectivos como mas ou por outro lado sem perda do sentido adversativo.

Portanto, o termo desempenha papel de marcação de oposição, contrapondo ideias e orientando a interpretação para uma mudança de direção entre as duas orações.

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