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Questão FC831821

EXPLORAÇÃO SEXUAL DA MULHER AFRICANA Desde que o motivo da importação de escravos era a simples exploração econômica representada pelo lucro, os escravos, rotulados como subumanos

Sintaxe

Pró Reitoria GP CP2 · 2017

EXPLORAÇÃO SEXUAL DA MULHER AFRICANA

 Desde que o motivo da importação de escravos era a simples exploração econômica representada pelo lucro, os escravos, rotulados como subumanos ou inumanos, existiam relegados a um papel, na sociedade, correspondente à sua função na economia: mera força de trabalho. Quer isto dizer que os africanos escravizados não mereciam nenhuma consideração como seres humanos no que diz respeito à continuidade da espécie no quadro da família organizada. Daí que a proporção da mulher para o homem estava perto de uma para cinco, e as relativamente poucas mulheres que existiam estavam automaticamente impedidas de estabelecer qualquer estável estrutura de família. A norma consistia na exploração da africana pelo senhor escravocrata, e este fato ilustra um dos aspectos mais repugnantes do lascivo, indolente e ganancioso caráter da classe dirigente portuguesa. O costume de manter prostitutas negro-africanas como meio de renda, comum entre os escravocratas, revela que além de licenciosos, alguns se tornavam também proxenetas. O Brasil herdou de Portugal a estrutura patriarcal de família e o preço dessa herança foi pago pela mulher negra, não só durante a escravidão. Ainda nos dias de hoje, a mulher negra, por causa da sua condição de pobreza, ausência de status social, e total desamparo, continua a vítima fácil, vulnerável a qualquer agressão sexual do branco. [...]

Esta realidade social é oposta à prevalecente ideia de que a formação do Brasil se verificou obedecendo a um processo integrativo imune de qualquer preconceito; tira a máscara do português e do brasileiro "branco" isentos de procedimentos racistas. [...]

O conceito popular difere completamente e restabelece a situação real:

Branca para casar,

Negra para trabalhar,

Mulata para fornicar.

[...]

NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectivas, 2016. p. 18. Adaptado.

No trecho “Branca para casar/ Negra para trabalhar/ mulata para fornicar”, do texto, há três orações subordinadas

  1. adverbiais finais justapostas.
  2. adverbiais finais reduzidas de infinitivo.
  3. adjetivas restritivas reduzidas de gerúndio.
  4. adjetivas explicativas reduzidas de particípio.
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Gabarito

B

Comentário do professor

São orações subordinadas adverbiais finais reduzidas de infinitivo.

A marca morfológica é o conjunto para + infinitivo (para casar, para trabalhar, para fornicar), que transmite a ideia de finalidade.

Chamam‑se reduzidas porque não aparecem com verbo finito nem sujeito explícito; o núcleo é o verbo no infinitivo, não uma oração desenvolvida.

Essas locuções podem ser desenvolvidas em orações com valor final, por exemplo: para casar → para que se case ou a fim de que case, preservando o sentido de finalidade.

Sintaticamente, atuam como orações adverbiais que explicam o propósito associado ao elemento anterior na estrutura elíptica do enunciado.

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