Questão FC831823
Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça escolhas “livres e com autonomia” para seu “projeto de vida” numa comunidade miserável e embrutecida pela violência? De qu
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Pró Reitoria GP CP2 · 2022
Texto V
ESCOLA E AFETOS: UM ELOGIO DA RAIVA E DA REVOLTA
A escola transformadora não suprime a rebeldia e nem a condena de antemão. Ao contrário, busca desvelar suas causas, canalizando o rancor destrutivo para o questionamento das injustiças e propondo ações para sua transformação. A raiva e a rebelião são entendidas como parte do processo para a formação de indivíduos autônomos, capazes de crítica e reflexão.
Ao propor o desenvolvimento de um sujeito afetivamente inatacável, sem considerar as etapas que levam a ele e sem propor caminhos para a sua (auto) construção, a BNCC presta um desserviço a alunos e educadores, responsabilizando-os previamente pelos maus resultados que surgirão. Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça escolhas “livres e com autonomia” para seu “projeto de vida” numa comunidade miserável e embrutecida pela violência? De que maneira sugerir “resiliência” à estudante que enfrenta o assédio no transporte público a caminho de uma escola sem infraestrutura e sem professor? Como cobrar que educadores e educadoras “promovamos direitos humanos” quando seu direito constitucional à greve é duramente reprimido pelas forças do Estado?
Vivemos num mundo injusto e num país abissalmente desigual. É compreensível e indispensável que alunos e professores sintam raiva, que se indignem. Que a escola esteja a serviço da transformação da indignação em ação, trabalhando a raiva e a revolta como insumo básico nas discussões dos aspectos afetivos no ambiente escolar.
RATIER, R.. Educação contra a barbárie. São Paulo: Boitempo, 2019. p. 156-157.
Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça escolhas “livres e com autonomia” para seu “projeto de vida” numa comunidade miserável e embrutecida pela violência? De que maneira sugerir “resiliência” à estudante que enfrenta o assédio no transporte público a caminho de uma escola sem infraestrutura e sem professor? Como cobrar que educadores e educadoras “promovamos direitos humanos” quando seu direito constitucional à greve é duramente reprimido pelas forças do Estado?
Nos textos escritos, o uso das aspas tem objetivos distintos, a depender do contexto e da intenção de quem escreve. No trecho destacado, esse recurso gráfico foi utilizado para
- referenciar trechos de outro texto.
- sugerir sentidos opostos às expressões.
- marcar concordância em relação às ideias citadas.
- evidenciar pensamentos específicos do autor.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Referenciar trechos de outro texto é a função das aspas nesse excerto. As marcas gráficas envolvem expressões como "livres e com autonomia", "projeto de vida", "resiliência" e "promovamos direitos humanos", identificando-as como enunciados alheios — neste caso, provenientes da BNCC — e não como formulações originais do autor do Texto V.
Do ponto de vista ortográfico e discursivo, as aspas sinalizam citação ou transcrição textual: permitem atribuir palavras a outra fonte e, ao mesmo tempo, estabelecer um distanciamento crítico do autor em relação a essas passagens.
Assim, o recurso cumpre a função de indicar autoria diversa e preparar a crítica que se segue no parágrafo, confirmando a resposta indicada.
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