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Questão FC831825

Texto I ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os imp

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

Pró Reitoria GP CP2 · 2022

Texto I

ESPERANÇAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE UMA PROFESSORA

DA REDE PÚBLICA DE BELO HORIZONTE

 

O atual contexto de pandemia em que estamos vivendo nos faz pensar sobre os impactos que tudo isso tem acarretado em nós docentes e discentes. Entre penhascos e abismos, procuramos uma ponte que nos mostrasse o caminho a seguir. Podemos dizer que a nossa meta de 2020 foi a de tentar sobreviver. E olhe que isso não foi uma tarefa fácil! De repente todas as nossas certezas se foram, roubaram a nossa rotina e tivemos que aceitar uma outra, imposta “goela abaixo”. Coisas simples e corriqueiras como ir trabalhar na escola, encontrar com os estudantes, ir para a sala de aula, sentar em rodinhas, dialogar, brincar, aprender e divertir foram abruptamente congeladas e, no lugar disso, ficaram o medo do vírus, o distanciamento social e o olhar a vida de longe, pelos muros, janelas e mídias sociais.

 

A reação inicial é que professores e estudantes ficaram perplexos diante desse novo cenário que se apresentava. Se, no ensino presencial, já era difícil fazer da Educação e do exercício de ensino e aprendizagem um ato prazeroso, interessante, que cativasse as crianças e as motivasse à exploração do novo, ao encanto com as descobertas, quem dirá agora no ensino a distância. Como professora do Ensino fundamental e da escola pública, a única certeza que tenho é a de que estamos tentando fazer o nosso melhor. Literalmente é como se acabássemos de sair da graduação de Pedagogia e estivéssemos inexperientes com a nossa primeira turma, tamanhas são as nossas perguntas e indagações para o momento. Como atingir a todos sem exceção? Como estarão nossas crianças? Estão com saúde? Como são as relações de convivência em sua casa? Estão se alimentando? Estão brincando? Estão sendo crianças e vivendo a infância em sua plenitude? Enfim, não temos experiência ou um modelo a seguir para lidar com esse novo cenário e, com o coração apertado, vamos tentando oferecer aos estudantes, dentro das possibilidades, aquilo que nos é permitido: estabelecer vínculos que possam trazer um certo conforto e carinho para eles. Tentamos nos fazer presentes nesse momento tão instável e difícil para todos. O sofrimento é geral. Tiraram o nosso chão e aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas não é o nosso maior problema, mas entender, de fato, quais são as reais necessidades de docentes e discentes, bem como oferecer a humanização de todo esse processo, para que não seja tão doloroso e cruel.

 

Por outro lado, tenho avaliado o que nos foi tirado em 2020 e confrontado essa perda com os ganhos que, mesmo que indiretamente, a pandemia nos trouxe. Se pudéssemos condensar todas as lacunas, certamente uma indagação se sobressairia: “O que de fato é importante agora?” Se o objetivo era sobreviver e estamos nos cuidando e com saúde, já estamos no caminho certo. Temos que ter essa clareza de que precisamos aproveitar o tempo e as oportunidades que nos são dadas e, enquanto professora, vários pensamentos me assolam: “O que os estudantes esperam de mim? O que gostaria de oferecer aos meus estudantes? O que significa a escola para eles? De que maneira posso estabelecer vínculos com as crianças?”

 

. Cada escola tem feito as suas escolhas metodológicas e pedagógicas, de acordo com o seu público escolar para chegar até os estudantes, para criar pontes humanas em um ambiente virtual. Em meio a essas decisões, o que não podemos perder de vista é que a escola precisa ser democrática e igualitária, precisa de veículos que cheguem a todos sem exceção; e que, chegando até todos os estudantes, o ensino e a aprendizagem sejam reais e significativos para eles. Temos que parar de focar em conteúdos compartimentados e dissociados da realidade e sim propiciar que as crianças sejam afetadas e movidas à construção do interesse pelas oportunidades reais de aprendizagem.

 

[...]

 

A Educação Humanizada já nos dá uma direção assertiva a seguir. Lidamos com pessoas, com crianças e essas relações construídas são pontes que nos ligam ou desligam uns dos outros, que constroem ou destroem, que formam ou deformam. Daí a importância de viver o momento com calma, de buscar encontrar o humano em nós mesmos e nos outros, não nos preocupando com números, planilhas e índices a alcançar, mas vivendo intensamente cada momento no contato gerador de aprendizagem... E tudo bem se não dermos conta, o que não pode acontecer é desistir. Desistir de recomeçar, desistir de lutar, desistir de viver! É o esperançar de Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (FREIRE, 1992, s. p.).

 

O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos, nos movendo, tirando-nos do lugar do medo, reinventando-nos nesses caminhos tortuosos e também incentivando os nossos estudantes a darem seus primeiros passos, tentando sobreviver e viver nesse desconhecido mundo pandêmico que agora nós temos.

 

Freire (1987) descreve o processo educativo como responsável pela tomada de consciência, possibilitando ao educando inserir-se no processo histórico como sujeito. Nas palavras de Freire, podemos vislumbrar a importância da escola e do seu papel de desnudar a realidade aos educandos, para que possam ler e interpretar não somente os textos, mas a vida; para que, assim, possam entender o momento atual, cuidando-se e discernindo as verdades e mentiras que circulam pelo mundo. Penso que 2020 e, agora, 2021 querem trazer à tona um novo paradigma humano: um sujeito que é protagonista, que tem as suas ideias, que luta pela sobrevivência, que vê a realidade ao seu redor e que, de certa forma, quer e pode transformá-la, a começar por pequenos gestos e ações que conseguem fazer em defesa da vida.

 

TAKAHASHI, A. M. Disponível em: https://www.revistaponte.org. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

 

“O grande aprendizado destes tempos tem sido o de valorizar o momento presente e tentar reunir forças (de onde nem imaginamos que teríamos) para dar os nossos passos”

 

Na frase acima, os parênteses são empregados para

  1. indicar continuidade de uma sequência enumerativa.
  2. destacar informações acessórias em relação ao restante do período.
  3. inserir um comentário ou uma observação sobre o assunto abordado.
  4. esclarecer um acontecimento secundário em relação ao que foi exposto.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Os parênteses empregados no trecho cumprem a função de inserir um comentário ou uma observação do autor sobre o trecho anterior. Eles trazem um detalhe explicativo sobre a expressão reunir forças, qualificando de onde essas forças viriam.

Trata‑se de uma informação suplementar, autoral e acessória: pode ser retirada sem comprometer a estrutura gramatical da frase, pois o enunciado principal permanece completo e coerente.

Nas normas de pontuação, os parênteses servem justamente para enxertar esse tipo de esclarecimento ou reflexão do autor, demarcando que o conteúdo entre eles é um acréscimo interpretativo, não elemento essencial ao núcleo da oração.

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