Questão FC831875
TEXTO 1 Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o
Interpretação de Textos (Compreensão)
Pró Reitoria GP CP2 · 2024
TEXTO 1
Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.
Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o mundo, dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens. Precisamente por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais.
O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu.
Esta é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados deste direito. É preciso primeiro que os que assim se encontram negados no direito primordial de dizer a palavra reconquistem esse direito, proibindo que este assalto desumanizante continue.
Se é dizendo a palavra com que, pronunciando o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens.
1 Não nos referimos, obviamente, ao silêncio das meditações profundas em que os homens, numa forma só aparente de sair do mundo, dele “afastando-se” para “admirá-lo” em sua globalidade, com ele, por isto, continuam. Daí que estas formas de recolhimento só sejam verdadeiras quando os homens nelas se encontrem “molhados” de realidade e não quando, significando um desprezo ao mundo, sejam maneiras de fugir dele, numa espécie de “esquizofrenia histórica”.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2018. p. 108-109.
A partir da leitura do quarto parágrafo do texto, é coerente afirmar que o diálogo
- inclui todas as formas de expressão.
- obriga a expressar o pensamento.
- depende das iniciativas individuais.
- combate a censura contra as ideias.
- implica igualdade de condições.
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Gabarito
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Comentário do professor
Igualdade de condições significa, no contexto do quarto parágrafo, que o diálogo só é possível quando todos os envolvidos têm o mesmo direito efetivo de falar e atuar sobre o mundo. Paulo Freire mostra que não há conversa verdadeira se alguns negam a palavra aos outros ou se a impõem de modo prescritivo.
O autor afirma que é preciso que os que estão silenciados reconquistem esse direito para que o assalto desumanizante cesse. Assim, o diálogo pressupõe reciprocidade e participação igualitária, não uma relação hierárquica em que um pronuncia e o outro apenas recebe.
Em suma, dialogar é compartilhar a palavra e a ação-reflexão em condições de igualdade, permitindo a transformação conjunta do mundo.
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