Questão FC831880
TEXTO 4 BECOS DA MEMÓRIA – fragmento (...) Saudades de um tempo, de um lugar, de uma vida que ela nunca vivera. Entretanto o que doía mesmo em Maria-Nova era ver que tudo se repeti
Interpretação de Textos (Compreensão)
Pró Reitoria GP CP2 · 2024
TEXTO 4
BECOS DA MEMÓRIA – fragmento
(...) Saudades de um tempo, de um lugar, de uma vida que ela nunca vivera. Entretanto o que doía mesmo em Maria-Nova era ver que tudo se repetia, um pouco diferente, mas, no fundo, a miséria era a mesma. O seu povo, os oprimidos, os miseráveis; em todas as histórias, quase nunca eram os vencedores, e sim, quase sempre, os vencidos. A ferida dos do lado de cá sempre ardia, doía e sangrava muito.
A menina, apesar da dor, pedia mais e mais aquela história. Gostava de alguns pontos coincidentes entre ela e o Homem. Ambos, quando pequenos, tinham o desejo de aprender a ler. Pequenina ainda, se entretinha horas e horas com revistas e jornais que a mãe e a tia lhe traziam. Tio Tatão, por vez ou outra, aparecia com um presente, um livro. Maria-Velha e Mãe Joana sabiam ler. Maria-Velha aprendera com uns missionários que volta e meia apareciam no lugarejo em que foram criadas. Mãe Joana aprendera sozinha catando cuidadosamente as letras, nas horas de folga nas casas em que trabalhava. Era, talvez, por isso o seu grande desejo e esforço para que os filhos aprendessem a leitura. Todos foram para a escola. Muitas vezes a fome acompanhava as crianças pelo caminho, pois o pouco dinheiro do pão era desvirtuado para a compra de um caderno, lápis ou borracha. Elas caminhavam rápidas, e aflitas esperavam pela hora da merenda. Maria-Nova, à medida que aprendia, se tornava mestra dos irmãos menores e das crianças vizinhas. Maria-Nova crescia, lia, crescia.
EVARISTO, Conceição. Becos da memória. 1ª ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2017. p. 6
No segundo parágrafo do texto, a narradora relata experiências de personagens com relação à prática da leitura, com o objetivo de demonstrar
- que a escola não era uma prioridade para a conquista do aprendizado.
- que os saberes escolares livraram a menina das dificuldades da vida.
- a carência de recursos como fator que impossibilita o letramento.
- que apenas os familiares da menina viabilizaram sua educação.
- a educação como ferramenta de transformação social.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A narrativa evidencia que a educação funciona como instrumento de mudança. Ao descrever como personagens aprendem a ler e priorizam material escolar mesmo em meio à fome, o texto mostra um esforço consciente pela instrução.
O episódio em que Maria-Nova ensina irmãos e vizinhos destaca a leitura como prática coletiva, capaz de difundir saberes e competências dentro da comunidade.
Essa valorização da aprendizagem confere empoderamento individual e social: a escola e os livros aparecem como vias para questionar e transformar a condição de miséria.
Assim, o parágrafo organiza evidências concretas para afirmar que a educação é apresentada como caminho para a transformação social.
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