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Questão FC831882

TEXTO 1 Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o

Interpretação de Textos (Compreensão)

Pró Reitoria GP CP2 · 2024

TEXTO 1

 

Não é no silêncio1 que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

 

Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o mundo, dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens. Precisamente por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais.

 

O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu.

 

Esta é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados deste direito. É preciso primeiro que os que assim se encontram negados no direito primordial de dizer a palavra reconquistem esse direito, proibindo que este assalto desumanizante continue.

 

Se é dizendo a palavra com que, pronunciando o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens.

 

1 Não nos referimos, obviamente, ao silêncio das meditações profundas em que os homens, numa forma só aparente de sair do mundo, dele “afastando-se” para “admirá-lo” em sua globalidade, com ele, por isto, continuam. Daí que estas formas de recolhimento só sejam verdadeiras quando os homens nelas se encontrem “molhados” de realidade e não quando, significando um desprezo ao mundo, sejam maneiras de fugir dele, numa espécie de “esquizofrenia histórica”.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2018. p. 108-109.

 

Ao inserir uma nota de rodapé a partir da palavra “silêncio” , o autor tenciona, principalmente,

  1. defender a importância do silêncio.
  2. introduzir o leitor em debate religioso.
  3. apresentar ao leitor a tese do texto.
  4. explicar os significados da palavra.
  5. contradizer uma interpretação da palavra.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Ao inserir a nota o autor busca contradizer uma possível interpretação da palavra silêncio. A nota esclarece que não se trata de um retiro descomprometido do mundo, nem de fuga, mas de formas de recolhimento que permanecem imersas na realidade.


Assim, Paulo Freire antecipa e corrige uma leitura equivocada que reduziria o silêncio a apatia ou isolamento. A explicitação distingue entre silêncio legítimo, que é reflexão engajada, e silêncio desumanizante, que é evasão.


Portanto, a função da nota é precisionar o sentido do termo para evitar mal-entendidos e reafirmar a ideia central do texto sobre a comunicação e ação humana.

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