Questão FC831885
Texto II O PEQUENO BURGUÊS Felicidade, passei no vestibular Mas a faculdade é particular Particular, ela é particular Particular, ela é particular Livros tão caros tantas taxas pra
Interpretação de Textos (Compreensão)
Pró Reitoria GP CP2 · 2022
Texto II
O PEQUENO BURGUÊS
Felicidade, passei no vestibular Mas a faculdade é particular Particular, ela é particular Particular, ela é particular
Livros tão caros tantas taxas pra pagar Meu dinheiro muito raro, Alguém teve que emprestar O meu dinheiro, alguém teve que emprestar O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
Morei no subúrbio, andei de trem atrasado Do trabalho ia pra aula, sem jantar e bem cansado Mas lá em casa à meia-noite tinha sempre a me esperar Um punhado de problemas e criança pra criar Para criar, só criança pra criar Para criar, só criança pra criar
Mas felizmente eu consegui me formar Mas da minha formatura, nem cheguei participar Faltou dinheiro pra beca e também pro meu anel Nem o diretor careca entregou o meu papel O meu papel, meu canudo de papel O meu papel, meu canudo de papel
E depois de tantos anos, Só decepções, desenganos Dizem que sou um burguês muito privilegiado Mas burgueses são vocês Eu não passo de um pobre-coitado E quem quiser ser como eu, Vai ter é que penar um bocado Um bom bocado, vai penar um bom bocado
FERREIRA, M. J. Disponível em http://martinhodavila.com.br. Acesso em 04 abr. 2022.
A leitura atenta da canção de Martinho da Vila, inclusive de seu título, permite entender que o enunciador
- não considera o estudo um elemento fundamental de ascensão social.
- defende que as desigualdades sociais são incontornáveis em nossa sociedade.
- percebe que as dificuldades sociais que enfrentou se tornaram parte da sua identidade.
- ainda vive em uma situação precária, com pouco dinheiro e poucos anos de escolaridade.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Alternativa C está correta porque o enunciador não apenas narra percalços materiais, mas incorpora essas experiências à sua autoimagem. A repetição de situações como "meu dinheiro, alguém teve que emprestar" e referências à vida no subúrbio e à ausência na formatura revelam que as privações marcaram seu percurso.
O próprio título, O Pequeno Burguês, funciona como rótulo assumido ironicamente: ele reconhece a condição social e a transforma em traço identitário, ao mesmo tempo em que relativiza o apelido "pobre-coitado". Assim, as dificuldades sociais deixam de ser eventos isolados para se tornarem elementos constitutivos de quem ele é.
Em suma, a letra mostra que as adversidades moldaram a sua identidade e sua forma de se ver no mundo.
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