FC ConcursosFC Concursos

Questão FC831896

Texto IV VENCE-DEMANDA EDUCAÇÃO: radical vivo que monta, arrebata e alumbra os seres e as coisas do mundo. Fundamento assentado no corpo, na palavra, na memória e nos atos. Balaio

Interpretação de Textos (Compreensão)

Pró Reitoria GP CP2 · 2022

Texto IV

VENCE-DEMANDA

 

EDUCAÇÃO: radical vivo que monta, arrebata e alumbra os seres e as coisas do mundo. Fundamento assentado no corpo, na palavra, na memória e nos atos. Balaio de experiências trançado em afeto, caos, cisma, conflito, beleza, jogo, peleja e festa. Seus fios são tudo aquilo que nos atravessa e toca. Encantamento de batalha e cura que nos faz como seres únicos de inscrições intransferíveis e imensuráveis. Repertório de práticas miúdas, cotidianas e contínuas, que serpenteiam no imprevisível e roçam possibilidades para plantar esperanças, amor e liberdade.

 

[...]

 

“Não basta catar a folha, é preciso cantá-la”. Para cada uma delas que brota, um trato. Com o devido pedido de licença aos moradores do lugar, a folha se cata, macera, seca, queima, e se sopram palavras de força que despertem o que nela habita. As folhas nos ensinam, porém havemos de silenciar profundamente para ouvi-las. Encapsulados em um tempo do quebranto, assediados pelo olho grande e pela obsessão dos agentes contrários à vida, o que nos resta é nos munirmos de repertórios guerreiros. É possível afugentar o assombro, invocar espiritualidades que façam minguar as forças da demanda cuspida por bocas assassinas? Sim, é possível. A aposta está na educação, que é aqui lida como força de batalha e cura. Esse caráter duplo riscado nessas folhas, ao ser despertado pelo hálito e pelo ritmo do diálogo, saltará feito encantaria que dá corpo e caminho para a invocação de outros atos. Ao longo do folhear, serão despertadas sensações de cisma, implicação, rebeldia, amor, fúria e liberdade. Cantarei a educação com respeito e compromisso com as aprendizagens que foram plantadas nessa terra por muitas e muitos que vieram antes – os que fazem junto essa travessia e os que irão confiar a zelação das defesas compartilhadas. Dessas aprendizagens foi feito um plantio que une diversos corpos, memórias e saberes. Um roçado de esperanças que semeia nesse chão a aposta da educação como prática que tem como principal tarefa responder de forma responsável às injustiças produzidas pelo contínuo colonial. Da mesma folha se fazem o remédio e o veneno. Dosaremos, então, a medida para o cuidado e a defesa das aldeias da margem, a emenda das histórias, o porto das memórias, a vivacidade do corpo, os estímulos à alegria, o cultivo à beleza, o reconhecimento dos ciclos e a sensibilidade com as múltiplas formas que compreendem a existência como ecologia. Que possamos preparar nossas artes de cura e batalha e nos sagrarmos vencedores dessa demanda que insiste em nos espreitar.

 

RUFINO, L. Vence-demanda: educação e descolonização. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2021. p. 5-7.

 

“Cantarei a educação com respeito e compromisso com as aprendizagens que foram plantadas nessa terra por muitas e muitos que vieram antes – os que fazem junto essa travessia e os que irão confiar a zelação das defesas compartilhadas. Dessas aprendizagens foi feito um plantio que une diversos corpos, memórias e saberes. Um roçado de esperanças que semeia nesse chão a aposta da educação como prática que tem como principal tarefa responder de forma responsável às injustiças produzidas pelo contínuo colonial. Da mesma folha se fazem o remédio e o veneno.”

 

Ao longo do texto, Luiz Rufino relaciona plantio a educação. Essa aproximação tem a função de:

  1. afirmar que a pauta do meio ambiente também é uma pauta da educação.
  2. insinuar que a educação brasileira não valoriza as práticas de agricultura.
  3. resgatar conhecimentos ignorados pela educação praticada nas escolas.
  4. aproximar as escolas dos debates sobre as formas de cultivo e colheita.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Certo

Comentário do professor

A metáfora do plantio funciona como imagem para o trabalho de reconstituir e valorizar saberes que ficaram à margem dos currículos escolares. O autor descreve a educação como um "roçado de esperanças" formado por corpos, memórias e práticas diversas, sinalizando um processo coletivo e situado.

Ao apresentar a educação como prática de cura e batalha, o texto atribui a ela a responsabilidade de enfrentar as injustiças do contínuo colonial, recuperando tradições, línguas e conhecimentos periféricos que o ensino formal costuma ignorar.

Portanto, a aproximação entre plantio e educação tem a função de resgatar e dar voz a saberes marginalizados, integrando-os à formação e promovendo uma educação mais plural e reparadora.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo