Questão FC831931
A MÃO DA LIMPEZA (Gilberto Gil) O branco inventou que o negro Quando não suja na entrada Vai sujar na saída, ê Imagina só Vai sujar na saída, ê Imagina só Que mentira danada, ê Na
Interpretação de Textos (Compreensão)
Pró Reitoria GP CP2 · 2017
A MÃO DA LIMPEZA
(Gilberto Gil)
O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada Vai sujar na saída, ê Imagina só Vai sujar na saída, ê Imagina só Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê Imagina só
O que o branco sujava, ê Imagina só
O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava Passava a vida limpando O que o branco sujava, ê Imagina só O que o branco sujava, ê Imagina só Eta branco sujão
Disponível em www.gilbertogil.com.br>sec_disco_info
Gilberto Gil estrutura o poema “A mão da limpeza” a partir do uso predominante da antítese com a finalidade de
- expressar criticamente a injustiça social, marcada pelas diferenças entre o branco e o negro e pela exploração do trabalho escravo.
- evidenciar criticamente as diferenças sociais, marcadas pela pureza do negro em oposição à sujeira do branco.
- marcar de maneira crítica a diferença entre a sujeira e a limpeza do negro e a limpeza e a sujeira do branco.
- contrapor acriticamente as mentiras e invenções do branco e as verdades e o trabalho do negro.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa está correta porque Gilberto Gil usa a antítese para revelar e criticar a desigualdade racial e a exploração histórica do trabalho.
Ao contrapor branco e negro em imagens como "O branco inventou que o negro / Quando não suja na entrada / Vai sujar na saída" e em versos como "Na verdade a mão escrava / Passava a vida limpando", o poema expõe a contradição entre quem suja e quem é obrigado a limpar.
Essa oposição enfatiza a hipocrisia social: o ato de limpar, atribuído ao negro, torna-se símbolo da reprodução da exploração mesmo após a abolição.
Assim, a antítese funciona não apenas como recurso estético, mas como instrumento crítico que denuncia a injustiça social e a persistência das marcas da escravidão.
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