Questão FC831932
A MÃO DA LIMPEZA (Gilberto Gil) O branco inventou que o negro Quando não suja na entrada Vai sujar na saída, ê Imagina só Vai sujar na saída, ê Imagina só Que mentira danada, ê Na
Interpretação de Textos (Compreensão)
Pró Reitoria GP CP2 · 2017
A MÃO DA LIMPEZA
(Gilberto Gil)
O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada Vai sujar na saída, ê Imagina só Vai sujar na saída, ê Imagina só Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê Imagina só
O que o branco sujava, ê Imagina só
O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava Passava a vida limpando O que o branco sujava, ê Imagina só O que o branco sujava, ê Imagina só Eta branco sujão
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O verso “Na verdade a mão escrava” introduz a segunda estrofe, estabelecendo uma relação semântica com a anterior de
- causa.
- oposição.
- conclusão.
- consequência.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Oposição é a relação semântica estabelecida porque a expressão “Na verdade a mão escrava” funciona como marca discursiva de correção ou negação do enunciado anterior.
No primeiro trecho o verso atribui ao branco a invenção de uma acusação: “O branco inventou que o negro...” A locução “Na verdade” contrapõe essa versão e apresenta a realidade contrária: a mão escrava é quem limpava o que o branco sujava.
Assim há oposição entre a falsa imputação e a realidade revelada. O efeito é corrigir a visão preconceituosa e deslocar a responsabilidade, produzindo contraste semântico claro entre as duas estrofes.
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