Questão FC831946
EXPLORAÇÃO SEXUAL DA MULHER AFRICANA Desde que o motivo da importação de escravos era a simples exploração econômica representada pelo lucro, os escravos, rotulados como subumanos
Interpretação de Textos (Compreensão)
Pró Reitoria GP CP2 · 2017
EXPLORAÇÃO SEXUAL DA MULHER AFRICANA
Desde que o motivo da importação de escravos era a simples exploração econômica representada pelo lucro, os escravos, rotulados como subumanos ou inumanos, existiam relegados a um papel, na sociedade, correspondente à sua função na economia: mera força de trabalho. Quer isto dizer que os africanos escravizados não mereciam nenhuma consideração como seres humanos no que diz respeito à continuidade da espécie no quadro da família organizada. Daí que a proporção da mulher para o homem estava perto de uma para cinco, e as relativamente poucas mulheres que existiam estavam automaticamente impedidas de estabelecer qualquer estável estrutura de família. A norma consistia na exploração da africana pelo senhor escravocrata, e este fato ilustra um dos aspectos mais repugnantes do lascivo, indolente e ganancioso caráter da classe dirigente portuguesa. O costume de manter prostitutas negro-africanas como meio de renda, comum entre os escravocratas, revela que além de licenciosos, alguns se tornavam também proxenetas. O Brasil herdou de Portugal a estrutura patriarcal de família e o preço dessa herança foi pago pela mulher negra, não só durante a escravidão. Ainda nos dias de hoje, a mulher negra, por causa da sua condição de pobreza, ausência de status social, e total desamparo, continua a vítima fácil, vulnerável a qualquer agressão sexual do branco. [...]
Esta realidade social é oposta à prevalecente ideia de que a formação do Brasil se verificou obedecendo a um processo integrativo imune de qualquer preconceito; tira a máscara do português e do brasileiro "branco" isentos de procedimentos racistas. [...]
O conceito popular difere completamente e restabelece a situação real:
Branca para casar,
Negra para trabalhar,
Mulata para fornicar.
[...]
NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectivas, 2016. p. 18. Adaptado.
A citação do ditado popular: “Branca para casar/ Negra para trabalhar/ Mulata para fornicar”, ao final do texto, estabelece com a ideia de integração racial no Brasil, segundo o autor, uma relação de
- contraste.
- proporção.
- comparação.
- consequência.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa correta é contraste.
O autor apresenta o ditado popular como uma sentença que sintetiza papéis sociais diferenciados segundo a cor da pele. Ao colocá-lo ao final do trecho, ele não o usa para somar ou explicar, mas para mostrar a ruptura entre a visão idealizada de convivência racial e a prática discriminatória.
Essa justaposição cria um efeito de oposição: a ideia de integração racial é colocada lado a lado com uma realidade que a nega. O ditado funciona como prova concreta da desigualdade, tornando explícita a incoerência entre o mito da harmonia e a prática excludente.
Logo, trata-se de um recurso retórico que evidencia um contraste entre expectativa e realidade.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em