FC ConcursosFC Concursos

Questão FC833562

Leia o texto a seguir: A floresta em pé: como a COP 30 revolucionou as finanças climáticas Silvia Pinheiro Para os que acompanharam as COPs e não acreditavam que um dia empresas e

Semântica

SELECON · 2026

Leia o texto a seguir:

 

A floresta em pé: como a COP 30 revolucionou as finanças climáticas

 

Silvia Pinheiro

 

Para os que acompanharam as COPs e não acreditavam que um dia empresas e bancos pudessem se interessar na floresta em pé, ao invés de no chão, a COP 30, em Belém, surpreendeu.

 

Fundos de investimento, corretoras, bancos, empresas mineradoras nacionais e internacionais, frigoríficos, indústrias do petróleo, papel e celulose entraram “com os dois pés” no ecossistema das finanças climáticas.

 

Os cortes nas doações e o negacionismo ambiental do governo Trump II, somados à timidez de uma Europa, com prioridades na defesa, interromperam projetos importantes para o desenvolvimento sustentável em regiões do sul global.

 

Investimentos chineses em tecnologias para a redução de emissões e de transição energética chamaram a atenção para este novo ator do capitalismo global, que desafia paradigmas no campo da sustentabilidade.

 

É nesse contexto de mudanças que mecanismos de mercado foram criados para solucionar os complexos desafios de dimensão planetária.

 

Lançados em 1992, na primeira COP, a Rio 92, no Rio de Janeiro, sofisticaram-se e agora estiveram nos discursos e falas do setor privado e mídias de comunicação na COP, em Belém. Porém, as soluções de mercado não são as “balas de prata” que irão conter o desmatamento e reduzir emissões globalmente. Ao contrário, sozinhas, podem trazer riscos.

 

Chama-se atenção para o afastamento do Estado no exercício de suas atribuições e para o enfraquecimento de políticas públicas, de reconhecimento de áreas de proteção, demarcação de territórios indígenas e assentamentos da reforma agrária.

 

Tais políticas que regulam destinações de florestas em abandono são conquistas de pequenos agricultores e moradores das florestas, de anos de luta e de atuações conjuntas com as organizações não governamentais, com o apoio de setores da Igreja Católica.

 

Chama a atenção, também, a tentativa de transformação dos povos originários, das populações tradicionais e dos moradores das florestas em prestadores de serviços. Seus serviços são “valorados” por terceiros e por hectares de florestas precificados por metodologias que, possivelmente, desconsideram aspectos inerentes às suas culturas e aos seus modos de vida.

 

Pesquisa recente realizada com grupos comunitários, indígenas, extrativistas e agricultores em projetos de assentamento aponta que, da totalidade dos entrevistados, 51 foram abordados por investidores em créditos de carbono. A maioria manifestou insegurança e a necessidade de obtenção de mais informações antes de firmar parcerias, ressaltando que a demarcação de seus territórios seria a prioridade e forma mais eficiente de combate ao desflorestamento. [...]

 

Fora do espaço de negociação entre governos e empresas, estiveram os moradores das florestas dos nove países da bacia amazônica que tiveram, como reivindicação principal, a demarcação de territórios, a titulação e o reconhecimento legal de áreas de proteção.

 

Foram demandas antigas sobre a homologação de áreas de floresta aos indígenas, ribeirinhos e quilombolas que apresentaram baixos índices de desmatamento, diferente das terras públicas devolutas, sem qualquer destinação.

 

Sob a argumentação de escassez de recursos para preservação das florestas tropicais nos países mais pobres e em desenvolvimento, o governo do Brasil apostou no TFFF, sigla em inglês para o que significa “Fundo Florestas Tropicais para Sempre”. A justificativa, para a sua criação, é a da não dependência de doações que seriam intermitentes, sujeitas a interrupções. A tese é apostar na rentabilidade do fundo enquanto fonte perene de recursos voltados à manutenção das florestas tropicais do planeta, em pé. [...]

 

Que as soluções de mercado não posterguem as dívidas sociais pendentes de soluções simples, e que a COP 30 seja reconhecida, por “mutirão” de atores públicos, privados e do terceiro setor, que ouviu dos povos originários e tradicionais suas alternativas e soluções de como lidar com os desafios climáticos e com a preservação das florestas.

 

FONTE: HTTPS://WWW.JB.COM.BR/BRASIL/OPINIAO/ARTIGOS/2025/11/1057780-A-FLORESTA-EM-PE-COMO-A-COP-30-REVOLUCIONOU-AS-FINANCAS-CLIMATICAS.HTML. TEXTO ADAPTADO. ACESSO EM 12/12/2025

 

No texto, a menção ao “governo Trump II” cumpre a função de:

  1. expressar um julgamento moral sobre o governo dos EUA
  2. exemplificar uma política nacional de menor impacto internacional
  3. contextualizar geopoliticamente a retração de recursos para o desenvolvimento sustentável
  4. apresentar uma informação central ao leitor brasileiro, que normalmente desconhece o presidente dos EUA
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Certo

Comentário do professor

Contextualizar geopoliticamente significa situar um fenômeno dentro das decisões e prioridades internacionais que o explicam. No texto, a menção ao governo Trump II cumpre exatamente essa função: indica um agente estatal cujas políticas e cortes orçamentários explicam a retirada de recursos destinados ao desenvolvimento sustentável.


Ao nomear esse governo, o autor aponta para mudanças de prioridade política e ideológica em nível global que impactam fluxos financeiros, doações e cooperações técnicas. Isso ajuda o leitor a entender por que projetos foram interrompidos e por que surgem alternativas de mercado.


Portanto, a referência atua como enquadramento geopolítico que liga decisões de um grande ator internacional às consequências observadas nas finanças climáticas e nas políticas públicas de preservação.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo