Questão FC833641
Ou permitir que o termo "Judenrein" — contra o qual seus antepassados lutaram — acabe por se instituir no país que ele governa?
Sintaxe
SELECON · 2025
Leia o texto a seguir:
Há lugares no Reino Unido onde os judeus já não entram
José Pereira Coutinho
Sou anglófilo, como boa parte da minha geração. Mas essa anglofilia é mais imaginária do que real: a Inglaterra que me interessa existe na minha cabeça — feita de livros, músicas, arte, filmes e de lugares que pertenceram a outro tempo.
Como dizia Eça de Queirós sobre o "francesismo" dos portugueses, eu também importo tudo: ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, modas e bobagens — que me chegam em caixotes pelo paquete, como nos velhos navios de correio.
A Inglaterra real de hoje é outro planeta: uma sociedade tribalizada, que formou ou acolheu fanáticos antissemitas — e que tolera passeatas que clamam pelo genocídio. Amigos judeus me dizem com frequência que já não se sentem seguros em certos lugares do país.
Acredito neles. E confirmo seus temores: o Daily Telegraph informa que a partida entre Aston Villa e Maccabi Tel Aviv, pela Liga Europa, não terá a presença da torcida israelense.
"Questões de segurança", dizem as autoridades de Birmingham — um belo eufemismo, uma bela rendição. Julgava eu que a função da polícia seria garantir essa segurança sem excluir, à partida, um grupo nacional inteiro.
Se há selvagens entre os torcedores do Maccabi, que eles sejam vigiados e impedidos de entrar. Se há selvagens antissemitas do outro lado, que eles também o sejam.
Mas essas evidências não parecem pesar na Inglaterra atual.
Semanas atrás, o conhecido clérigo muçulmano de Birmingham Asrar Rashid escreveu nas redes sociais: "Quando a torcida de Tel Aviv chegar, não teremos qualquer piedade para com eles."
Na minha opinião, eis um exemplo perfeito de "discurso de ódio" com incitamento à violência. Não consta, porém, que Rashid tenha sido investigado pela polícia. Esses privilégios parecem recair apenas sobre certos humoristas — como Graham Linehan, detido no aeroporto de Heathrow em setembro após postar uma piada sobre criminosos que se fazem passar por mulheres trans para cumprir pena em presídios femininos.
O primeiro-ministro Keir Starmer condenou com veemência a exclusão da torcida israelense. Mas o que pensa fazer? Enviar o Exército a Birmingham para confrontar radicais islamistas?
Ou permitir que o termo "Judenrein" — contra o qual seus antepassados lutaram — acabe por se instituir no país que ele governa?
Melhor não apostar.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2025/10/ha-lugares
-no-reino-unido-onde-os-judeus-ja-nao-entram.shtml. Acesso em 18/10/2025
"Amigos judeus me dizem com frequência que já não se sentem seguros em certos lugares do país".
O elemento em destaque introduz uma oração subordinada:
- adjetiva restritiva
- adjetiva explicativa
- substantiva objetiva direta
- substantiva completiva nominal
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Oração subordinada substantiva objetiva direta. A oração iniciada por que ("que já não se sentem seguros em certos lugares do país") funciona como complemento do verbo dizem, preenchendo o papel de objeto direto.
Prova simples: pergunte-se "o que dizem?" A resposta natural é a própria oração: "que já não se sentem...". Outra prova: substitui-se por um pronome demonstrativo: "Amigos judeus me dizem isso com frequência." A substituição é possível porque a oração ocupa posição de termo nominal equivalente a um substantivo.
Portanto, trata-se de uma oração substantiva porque exerce função de substantivo, e é objetiva direta porque complementa um verbo transitivo direto sem preposição.
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