Questão FC833723
O que a psicologia diz sobre as pessoas que passam horas no celular e adiam tarefas importantes?
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
SELECON · 2026
Leia o texto a seguir.
O que a psicologia diz sobre as pessoas que passam horas no celular e adiam tarefas importantes?
Existem dois sentimentos que se tornaram familiares a milhões de pessoas nos últimos anos: um, o de que o tempo voa, e o outro: de que, por mais que se queira concluir uma tarefa, é impossível fazê-la. Este último é conhecido como "procrastinação" e, no estudo "Procrastinação: Quando as coisas boas não chegam para quem espera", é definido como o adiamento voluntário de tarefas, mesmo que esse adiamento traga consequências negativas.
Mas o que acontece quando o que é feito durante esse tempo extra gera satisfação? Os psicólogos chamam isso de "dopamina evitativa", e é a maneira como o sistema límbico — a parte emocional do cérebro — escapa de tarefas/atividades que geram ansiedade ou desconforto.
Sebastián Ibarzábal, psicólogo clínico e especialista em conflitos de relacionamento e problemas de comunicação, explica: "chama-se assim porque a dopamina é o neurotransmissor que regula a antecipação de recompensas e o impulso para buscá-las".
O fenômeno torna-se evidente, por exemplo, quando alguém precisa terminar um relatório de trabalho e, em vez de se sentar para fazê-lo, começa a assistir a vídeos do TikTok ou pensa que é uma boa ideia lavar a pilha de louça que está na cozinha há dias. O cérebro processa essas distrações e pensa: "Isso é bom, vamos fazer de novo".
"A busca por estímulos instantâneos é sempre ativada quando surge algo desconfortável, gerando uma distração que é eficaz a curto prazo e, justamente por isso, se repete", acrescenta o profissional a respeito da tendência de procrastinar por horas.
O problema fundamental é que as recompensas rápidas dificultam a concentração em um trabalho significativo a longo prazo, porque não produziriam o mesmo efeito.
Victoria Almiroty, formada em psicologia, acrescenta: "Não procrastinamos apenas porque existem estímulos recompensadores, mas porque certas tarefas nos confrontam com frustração, autoexigência, medo do fracasso, exposição ou conflito com o desejo."
Esses comportamentos que levam à procrastinação, continua Almiroty, geram alívio imediato, mas depois aumentam os sentimentos de culpa, ansiedade e perda de autoestima. "Eles formam um ciclo negativo difícil de quebrar", afirma ela. [...]
Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/06/03/o-que-apsicologia- diz-sobre-as-pessoas-que-passam-horas-no-celular-e-adiamtarefas- importantes.ghtml. Excerto. Acesso em 03/06/2026
No contexto do texto, a pergunta “Mas o que acontece quando o que é feito durante esse tempo extra gera satisfação?” desempenha principalmente a função de:
- resumir a discussão anterior
- introduzir uma objeção ao conceito de procrastinação
- questionar a validade científica das pesquisas que investigam o comportamento procrastinatório
- marcar a passagem da definição do fenômeno para a explicação de um de seus mecanismos psicológicos
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Gabarito
D
Comentário do professor
A pergunta funciona como um marcador de transição entre a apresentação geral do conceito e a entrada numa explicação causal mais concreta. Antes, o texto oferece a definição de procrastinação; a interrogação desloca o foco para o que ocorre quando a atividade substituta produz prazer.
Assim, a frase introduz a explicação de um dos mecanismos psicológicos envolvidos: a chamada dopamina evitativa e o papel do sistema límbico na busca de recompensas imediatas. A pergunta prepara o leitor para a descrição desse processo.
Em termos discursivos, sua função é sinalizar o avanço argumentativo do texto, orientando a passagem da teoria para a exposição do funcionamento interno do fenômeno.
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