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Questão FC833759

Leia o texto a seguir: Mostra reinventa imagens de estátuas gregas a partir de origamis e capas de livros Davi Galantier Krasilchik Há algo estranho nesta fotografia de uma estátua

Linguagem

SELECON · 2026

Leia o texto a seguir:

Mostra reinventa imagens de estátuas gregas a partir de origamis e capas de livros

 

Davi Galantier Krasilchik

 

Há algo estranho nesta fotografia de uma estátua grega. Nela, um busto paira sobre um bloco de mármore sem uma das pernas, um dos braços e o rosto. Noutro registro, colunas antigas circundam um retângulo branco, como se uma parte tivesse sido removida à força. Conhecido por juntar materiais para interferir em imagens tradicionais, o artista Nino Cais faz das omissões uma maneira de reaver a corporalidade.

 

Na era das redes virtuais, a mostra "Uma Nova Ideia de Voo" transforma páginas antigas, ilustradas com esculturas de vários períodos históricos. Seja com capas de livros que traziam as fotos, seja com tecidos e superfícies distintas, Cais esconde faces e demais elementos ao repensar arquivos e estruturas físicas.

 

Dos defeitos rochosos em papel aos detalhes de brochuras espalhadas pela galeria Lume, ele descreve as obras como encontros entre peles diversas. "É como uma cirurgia", diz. "Por um lado, há a sobreposição de peles. Por outro, ocorre também a tiragem, em que revelo outra coisa. A imagem e a abstração são quase a mesma coisa — ambas nos levam a projetar algo novo pela falta.

 

A ideia de construção a partir da ausência é desenvolvida de muitas formas. Sobre o elmo de um antigo líder egípcio, pedaços fotográficos saltam para fora. Eles constituem esferas, que dividem a imagem entre informações e intervalos brancos e firmam uma espécie de rosto mutante.

 

A tática é parecida com a que desconstrói um homem barbado, cujos pelos de mármore se confundem com os bíceps e partes do peitoral. São intervenções que partem do próprio papel e que embaralham corpos de épocas distintas, como estátuas de bronze e figuras do Império Romano.

 

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/04/mostra-reinventa-imagensde- estatuas-gregas-a-partir-de-origamis-e-capas-de-livros.shtml. Excerto. Acesso em 07/04/2026.

 

Ao afirmar que Nino Cais "faz das omissões uma maneira de reaver a corporalidade" , o texto estabelece um paradoxo segundo o qual a:

  1. beleza emerge da ruína
  2. ausência opera como forma ativa de presença e reconstituição do corpo
  3. destruição de imagens históricas constitui crítica ao mercado de arte contemporânea
  4. supressão de partes fotográficas reforça a fragmentação do corpo humano pela tecnologia digital
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Gabarito

B

Comentário do professor

O enunciado afirma que Nino Cais "faz das omissões uma maneira de reaver a corporalidade". Isso significa que a ausência nas imagens não é simples falta, mas um procedimento ativo que convoca o olhar.

Ao ocultar partes das estátuas ou sobrepor fragmentos, o artista cria lacunas que obrigam o espectador a completar mentalmente o corpo. Essas lacunas funcionam como espaço negativo produtivo: tornam visíveis relações, contornos e tensão entre o que está presente e o que foi removido.

Assim, a omissão atua como recurso de presença: a falta motiva a percepção e permite a reconstituição simbólica do corpo, conforme descrito no texto por técnicas como sobreposição, recorte e transformação do suporte.

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