Questão FC833802
O HOMEM CHAMADO NAMARASOTHA Havia um homem que se chamava Namarasotha. Era pobre e andava sempre vestido com farrapos. Um dia foi à caça. Ao chegar ao mato, encontrou uma impala mo
Interpretação de Textos (Compreensão)
SELECON · 2026
O HOMEM CHAMADO NAMARASOTHA
Havia um homem que se chamava Namarasotha. Era pobre e andava sempre vestido com farrapos. Um dia foi à caça. Ao chegar ao mato, encontrou uma impala morta. Quando se preparava para assar a carne do animal apareceu um passarinho que lhe disse:
— Namarasotha, não se deve comer essa carne. Continua até mais adiante que o que é bom estará lá.
O homem deixou a carne e continuou a caminhar. Um pouco mais adiante encontrou uma gazela morta. Tentava, novamente, assar a carne quando surgiu outro passarinho que lhe disse:
— Namarasotha, não se deve comer essa carne. Vai sempre andando que encontrarás coisa melhor do que isso.
Ele obedeceu e continuou a andar até que viu uma casa junto ao caminho. Parou e uma mulher que estava junto da casa chamou-o, mas ele teve medo de se aproximar, pois estava muito esfarrapado.
— Chega aqui! insistiu a mulher.
Namarasotha aproximou-se então.
— Entra, disse ela.
Ele não queria entrar porque era pobre. Mas a mulher insistiu e Namarasotha entrou, finalmente.
— Vai te lavar e veste estas roupas, disse a mulher.
E ele lavou-se e vestiu as calças novas. Em seguida, a mulher declarou:
— A partir deste momento esta casa é tua. Tu és o meu marido e passas a ser tu a mandar.
E Namarasotha fi cou, deixando de ser pobre.
Um certo dia havia uma festa a que tinham de ir. Antes de partirem para a festa, a mulher disse a Namarasotha:
— Na festa a que vamos quando dançares não deverás virar- te para trás.
Namarasotha concordou e lá foram os dois. Na festa bebeu muita cerveja de farinha de mandioca e embriagou-se. Começou a dançar ao ritmo do batuque. A certa altura a música tornou-se tão animada que ele acabou por se virar.
E no momento em que se virou, ficou como estava antes de chegar à casa da mulher: pobre e esfarrapado.
Fonte: https://muralafrica.paginas.ufsc.br/files/2011/11/CONTOS_AFRICANOS.pdf. Acesso em 09/01/2026
No texto, o espaço narrativo contribui predominantemente para:
- reforçar um realismo urbano
- neutralizar o conflito narrativo principal
- indicar deslocamentos geográfi cos complexos
- construir uma atmosfera simbólica e tradicional
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Gabarito
D
Comentário do professor
O espaço do conto funciona como um dispositivo de simbolismo e de ligação à tradição. O mato, o caminho e a casa não surgem apenas como cenários físicos, mas como etapas de uma jornada moral e folclórica.
As carcaças no mato representam a provação e a tentação; a mulher e a casa simbolizam a passagem para outra condição social; a festa e a regra sobre não virar-se remetem a rituais comunitários que regulam comportamento.
Esses pontos espaciais criam uma atmosfera arquetípica, típica da narrativa oral, em que o ambiente ensina e sanciona ações.
Portanto, o espaço constrói uma atmosfera símbolo‑tradicional, integrando elementos culturais, morais e rituais que definem o destino de Namarasotha.
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