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Questão FC833854

Sei que parece um tanto triste usar este espaço para um desabafo assim, tão pessoal, mas tendo a acreditar que não sou a única. Acredito que mais gente por aí se identifique com es

Interpretação de Textos (Compreensão)

SELECON · 2025

Quando eu deixei de acreditar em mim 

 

Mayara Godoy 

 

Quando foi que essa dúvida se abateu sobre minhas tão sólidas certezas?

 

Quando foi que deixei de acreditar na única pessoa em quem deveria confiar sempre? 

 

Dia desses, me peguei tentando me lembrar quando foi que eu deixei de acreditar em mim mesma.

 

Eu sempre fui uma pessoa autoconfiante. Pelo menos em alguns aspectos da vida. Desde pequena, eu sempre fui estudiosa, e ia bem na escola. Isso não foi um problema para mim, nem mesmo quando tive de pular um ano no prezinho e acabei ficando adiantada, estudando com crianças mais velhas que eu. 

 

Lá pela sexta série, eu já tinha uma clareza de qual carreira gostaria de seguir, e me matriculei na faculdade sem nenhuma dúvida de que aquele seria meu caminho.

 

Fiz estágios, trabalhos voluntários, me metia em tudo que era evento aleatório, apenas na ânsia de aprender. Tinha sede do mundo, sede de conhecimento, pressa de avançar. Tinha um brilho no olhar que parecia difícil de apagar.

 

Ao me formar, rapidamente consegui empregos, sempre fui bem recomendada pelos ex-chefes, e sempre fui adiante de cabeça erguida. 

 

Olhando hoje, é muito nítido o quanto eu seguia em frente sem hesitar, o quanto eu tinha certeza de cada passo que dava. Talvez, fosse só imaturidade juvenil, aquela pseudoarrogância típica de quem não viveu muito ainda, aquela ingenuidade que chega a ser bonita. Talvez. 

 

Com o passar dos anos, eu sempre continuei perseguindo o conhecimento, as experiências, o crescimento. Sempre segui estudando, me dedicando, dando o meu melhor. 

 

Mas, em algum momento, isso mudou. Hoje me olho no espelho e não sei mais quem sou. E percebo que não é uma crise com a minha profissão especificamente, é comigo mesma. Aquela autoconfiança, aquela segurança, aquela ousadia, tudo sumiu. Hoje me sinto incapaz, obsoleta, perdida e irrelevante. 

 

Em que momento eu deixei de acreditar em mim? Em que momento meu espírito foi quebrado dessa maneira? Eu sinceramente não sei responder. Não sei se foi um acúmulo de experiências negativas com o passar dos anos, ou se foi alguma situação pontual, mas sinto que algo em mim morreu; o combustível que alimentava esse fogo acabou.

 

Alguma parte fundamental do meu ser, algum elemento estrutural que me sustentava, ruiu. Como uma coluna de sustentação de um prédio derrubada por engano, sinto que algum dos meus pilares cedeu. Talvez seja o que as pessoas chamam de crise existencial, crise de meia idade, crise dos 30 (e poucos), ou talvez alguma outra ainda não nominada. 

 

Mas, a sensação é a de ter sido completamente dominada pela síndrome da impostora, de ter sucumbido a ela, de ter perdido a vontade de provar que quem duvida de mim está errado. Hoje, eu duvido e faço coro com essas pessoas.

 

Sei que parece um tanto triste usar este espaço para um desabafo assim, tão pessoal, mas tendo a acreditar que não sou a única. Acredito que mais gente por aí se identifique com esse sentimento – e quem sabe alguém possa me contar como a gente se livra dele? 

 

Fonte: https://cronicasdecategoria.com/2024/03/05/quando-eu-deixei-de-acreditar-em-mim/.

Acesso em 22/12/2024

 

A leitura atenta do texto permite concluir que a cronista:

  1. nunca foi muito segura na vida, e isso ficou mais intenso atualmente
  2. nunca foi uma pessoa inconstante ou indecisa em nenhum momento da vida dela
  3. sempre teve certeza dos seus objetivos, mas atualmente tem dúvidas sobre algumas de suas capacidades
  4. sempre teve certeza dos seus objetivos e de sua própria identidade, e isso persiste até os dias de hoje
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Conclusão: o texto mostra que a cronista sempre teve certeza dos objetivos, mas hoje convive com dúvidas sobre suas capacidades.

Evidências do passado: ela relata ter sido autoconfiante desde cedo, estudar bem, pular de ano, saber já na sexta série qual carreira seguir, matricular‑se na faculdade sem dúvida, participar de estágios e conseguir empregos rapidamente. Esses trechos comprovam a segurança sobre rumo profissional e metas.

Evidências do presente: em contraste, descreve perda de autoconfiança: “hoje me olho no espelho e não sei mais quem sou”, sentir‑se “incapaz, obsoleta, perdida e irrelevante” e mencionar a “síndrome da impostora”. Esses trechos expressam dúvidas quanto às próprias capacidades.

Portanto, o enunciado sintetiza fielmente a progressão narrativa entre certeza de objetivos e crise de autoconfiança.

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