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Questão FC833887

Leia o texto a seguir: Pandora Num tempo distante, os homens dominaram a dádiva do fogo, graças a Prometeu, tornando melhor a vida na Terra. Mas diante daquela afronta, a ira de Ze

Interpretação de Textos (Compreensão)

SELECON · 2025

Leia o texto a seguir:

Pandora

 

Num tempo distante, os homens dominaram a dádiva do fogo, graças a Prometeu, tornando melhor a vida na Terra.

 

Mas diante daquela afronta, a ira de Zeus não teve limites, e ele resolve então punir os homens.

 

Ordenou a Hefesto que moldasse uma mulher de barro, tão linda quanto uma verdadeira deusa, que lhe desse voz e movimento e que seus olhos inspirassem um encanto divino.

 

A deusa Atena teceu-lhe uma belíssima roupa, as três Graças a cobriram com joias e as Horas a coroaram com uma tiara de perfumadas flores brancas. Por isso a jovem recebeu o nome de Pandora, que em grego significa “todas as dádivas”.

 

No dia seguinte, Zeus deu instruções secretas a seu filho Hermes que, obedecendo às ordens do pai, ensinou a Pandora a contar suaves mentiras. Com isso, a mulher de barro passou a ter uma personalidade dissimulada e perigosa.

 

Feito isso, Zeus ordenou a Hermes que entregasse a mulher de presente a Epimeteu, irmão de Prometeu, um homem ingênuo e lento de raciocínio.

 

Ao ver Pandora, Epimeteu esqueceu-se que Prometeu havia-lhe recomendado muitas vezes para não aceitar presentes de Zeus; e aceitou-a de braços abertos.

 

Certo dia, Pandora viu uma ânfora muito bem lacrada, e assim que se aproximou dela Epimeteu alertou-a para se afastar, pois Prometeu lhe recomendara que jamais a abrisse, caso contrário, os espíritos do mal recairiam sobre eles.

 

Mas, apesar daquelas palavras, a curiosidade da mulher de barro aumentava; não mais resistindo, esperou que o marido saísse de casa e correu para abrir o jarro proibido.

 

Mal ergueu a tampa, Pandora deu um grito de pavor e do interior da ânfora saíram monstros horríveis: o Mal, a Fome, o Ódio, a Doença, a Vingança, a Loucura e muitos outros espíritos maléficos…

 

Quando voltou a lacrar a jarra, conseguiu prender ali um único espírito, a Esperança.

 

Assim, então, tudo aconteceu exatamente conforme Zeus havia planejado. Usou a curiosidade e a mentira de Pandora para espalhar o mal sobre o mundo, tornando os homens duros de coração e cruéis, castigando Prometeu e toda a humanidade.

 

Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000589.pdf. Acesso em 06/07/2025

 

No texto, há uma relação de oposição que é fundamental para a compreensão da mensagem. Essa relação de oposição é a que se estabelece entre:

  1. os dons recebidos por Pandora e sua beleza
  2. a desobediência de Zeus e a prudência de Pandora
  3. a curiosidade de Pandora e a obediência de Epimeteu
  4. os males libertados da caixa e a esperança que permaneceu presa
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Gabarito

D

Comentário do professor

Oposição presente no texto articula os males que saem da ânfora e a Esperança que fica retida.

Ao narrar a abertura do jarro, o enredo contrapõe a proliferação de sofrimento — Fome, Ódio, Doença, Loucura etc. — com a permanência da Esperança no interior da ânfora. Esse contraste é apresentado de forma clara e intencional.

Funciona como eixo interpretativo: os males representam a condição humana marcada por dor e crueldade, enquanto a Esperança simboliza um recurso positivo, porém aprisionado.

Essa oposição cria uma tensão temática. A esperança existe, oferecendo consolo possível, mas sua prisão sugere ambiguidade sobre seu alcance efetivo na vida humana. Assim, a compreensão da mensagem depende desse contraste entre perda e remanescência.

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