FC ConcursosFC Concursos

Questão FC833897

Neste momento, ao perceber o fôlego lhe faltando, Jonas se arrependeu. Maldita hora que decidira entrar pelo portão deixado aberto pelo vizinho para pegar algumas frutas. Seus pais

Interpretação de Textos (Compreensão)

SELECON · 2025

Leia o texto a seguir, de Juliano Martins:

Fuga do cão

 

Era uma perseguição implacável. Injusta, poderia dizer. Afinal, como duas pernas podem competir contra quatro?

 

Enquanto corria tanto quanto podia, percebia em assustadores relances que o cachorro ia alcançá-lo.

 

Podia ouvir os sons guturais que provinham das entranhas do quadrúpede sedento de sangue.

 

Neste momento, ao perceber o fôlego lhe faltando, Jonas se arrependeu. Maldita hora que decidira entrar pelo portão deixado aberto pelo vizinho para pegar algumas frutas. Seus pais não haviam lhe ensinado tão incisivamente que pegar bens alheios é roubo?

 

Malditas laranjas suculentas, pensou!

 

Tarde demais para lamentos. Entrara no quintal do vizinho sem autorização, despertara o cão raivoso e agora fugia do facínora.

 

Em certo momento, nem sentia as pernas – eram tão rápidas que dispensavam qualquer coordenação. Jamais imaginaria ser capaz de correr tanto assim.

 

Tanto correu que, de repente, descobriu-se em outro bairro.

 

Parou, resfolegando como um cavalo. Olhou para trás e descobriu que o cachorro desaparecera.

 

Deu um grito de alegria ao perceber que fora mais rápido do que o cão. Quem poderia imaginar? Enfim, duas pernas venceram quatro! O feito renderia muitas histórias entre os amigos.

 

E isto sem contar o fato de que o susto servira para lhe ensinar uma importante lição: da próxima vez, ouviria os pais e a voz da consciência.

 

Foi quando um quintal alheio lhe chamou a atenção. Ao lado da casa, Jonas se deparou com uma cintilante árvore carregada de malditas laranjas suculentas!

 

Fonte: https://corrosiva.com.br/cronicas/fuga-do-cao/. Acesso em 02/09/2025

 

No texto, o narrador chama o cão de “facínora”. Ao usar esse termo, o narrador:

  1. descreve a raça do cão
  2. faz um julgamento exagerado
  3. demonstra compaixão pelo cão
  4. faz um elogio ao cão, pela sua agilidade
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

B

Comentário do professor

Ao chamar o cão de facínora, o narrador emprega um termo marcadamente pejorativo e exagerado. A palavra carrega valor moral forte, típica para descrever criminosos, não animais, o que transforma a simples perseguição numa condenação quase teatral.

Esse uso revela uma hipérbole e uma perspectiva subjetiva: o narrador, influenciado pelo medo e pela culpa de Jonas por ter roubado as laranjas, amplia a ameaça do animal. Assim, a expressão funciona como um julgamento exagerado, projetando no cão intenções humanas e intensificando o tom dramático e cômico da cena.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo