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Leia o texto a seguir: Má alimentação ameaça o futuro das crianças e do Brasil Autores: Raul Cutait Marcos Kisil e Aracélia Costa O Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta quin

Interpretação de Textos (Compreensão)

SELECON · 2025

Leia o texto a seguir:

 

Má alimentação ameaça o futuro das crianças e do Brasil

 

Autores: Raul Cutait Marcos Kisil e Aracélia Costa

 

O Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta quintafeira (16/10), enseja reflexões. Segundo relatório do IBGE desta semana, 25% dos brasileiros vivem com algum grau de insegurança alimentar. incerteza quanto à próxima refeição (grave), limitação na quantidade (moderada) ou composição inadequada dos alimentos disponíveis (leve). Quanto a crianças de O a 10 anos, 7% convivem com insegurança alimentar grave.

 

No estado de São Paulo, responsável pelo maior PIB do país, 12 milhões de pessoas não conseguem realizar as refeições diárias de forma adequada; ou seja, 25% da população paulista enfrenta algum grau de insegurança alimentar. Estudo da Rede Pensan estima que em um terço dos lares paulistas com crianças menores de 10 anos ocorre insegurança moderada ou grave.

 

Ora, o desenvolvimento saudável de uma criança depende não só de educação e amor, mas também da boa alimentação, que desempenha um papel central em sua formação física, cognitiva e emocional desde os primeiros anos de vida. Assim, carências impactam diretamente na formação do futuro cidadão. Porém, além da desnutrição, crianças vivenciam outro grave problema, a obesidade, relacionada com a ingestão excessiva de alimentos inadequados do ponto de vista nutricional.

 

No Brasil, 3 milhões de crianças com menos de 10 anos são obesas, e 6,4 milhões apresentam excesso de peso, sendo que esse problema afeta 1,2 milhão de crianças paulistas. A obesidade torna essas crianças sérias candidatas a desenvolver doenças crônicas quando adultas, dentre elas hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias e câncer, o que irá interferir em sua qualidade de vida futura, sobrecarregar o sistema de saúde e gerar altos custos de tratamentos.

 

Adicionalmente, a má alimentação compromete uma futura mobilidade social, pois jovens que tiveram crescimento físico, cognitivo e emocional limitados convivem com limitações pessoais para se qualificar e disputar melhores oportunidades no mercado de trabalho. Por outro lado, o setor produtivo encontra dificuldades na busca de profissionais qualificados, o que impacta em produtividade e competitividade econômica. Portanto, insegurança alimentar e nutricional é não só uma questão social, mas também econômica e de desenvolvimento humano.

 

Alimentar bem as crianças é uma missão para todos. Por esse motivo, a Fiesp, através de seu Conselho Superior de Responsabilidade Social, lançou há dois anos o Programa Alimentar o Futuro, em parceria com instituições nacionais e internacionais, visando aumentar a interação efetiva entre governos municipais e empresariado na busca de caminhos que permitam corrigir distorções como a por nós verificada em duas regiões do estado, onde 92% das refeições escolares não atendem plenamente os critérios nutricionais estabelecidos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar.

 

Assim, políticas de melhoria da alimentação infantil têm sido conjuntamente desenhadas pelos setores público e privado e complementadas com ações de capacitação de nutricionistas e cozinheiros das cidades envolvidas.

 

Como proposta, pretendemos estender essa experiência para outras regiões do estado e incluir creches públicas, bem como auxiliar na expansão da agricultura familiar, que por lei será responsável por 45% dos cardápios escolares. Acreditamos que, dessa forma, a Fiesp faz mais uma importante contribuição social, ao participar da construção de um futuro mais justo para nossas crianças e, consequentemente, para o desenvolvimento do país.

 

Fonte: | https:/Awmww1 .folha.uol.com.br/opiniao/2025/10/ma-alimentacao-ameaca-ofuturo- das-criancas-e-do-brasil.shtml (consultado em 16/10/2025)

 

A partir das informações apresentadas no texto lido, infere-se corretamente que a insegurança alimentar:

  1. é um problema transitório e com poucas consequências a longo prazo, tendo em vista que as crianças passam a se alimentar melhor na fase adulta, resolvendo, assim, as deficiências da má alimentação na infância
  2. ultrapassa a dimensão individual e familiar, impactando o desenvolvimento social, econômico e humano do país ao comprometer a formação e as oportunidades futuras das crianças
  3. está relacionada principalmente à falta de interesse das famílias em oferecer alimentos saudáveis às crianças, sendo um problema essencialmente doméstico
  4. afeta apenas famílias em situação de extrema pobreza rural, não representado risco significativo para as classes médias urbanas
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa afirma que a insegurança alimentar extrapola o âmbito individual e familiar e atinge esferas sociais, econômicas e humanas. O texto mostra isso ao relacionar a falta de alimentação adequada com prejuízos no crescimento físico, cognitivo e emocional das crianças.


Esses prejuízos comprometem a formação escolar e as oportunidades de emprego futuras, reduzindo a mobilidade social e a qualificação do capital humano. Assim, há impacto direto na produtividade e na competitividade econômica do país.


Além disso, o aumento de doenças crônicas decorrentes de má nutrição onera o sistema de saúde, ampliando custos públicos e privados, o que reforça o caráter social e econômico do problema.


Portanto, a conclusão de que a insegurança alimentar influencia o desenvolvimento social, econômico e humano está fundamentada nas relações causais apresentadas no texto.

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