Questão FC833978
Ou permitir que o termo "Judenrein" — contra o qual seus antepassados lutaram — acabe por se instituir no país que ele governa?
Interpretação de Textos (Compreensão)
SELECON · 2025
Leia o texto a seguir:
Há lugares no Reino Unido onde os judeus já não entram
José Pereira Coutinho
Sou anglófilo, como boa parte da minha geração. Mas essa anglofilia é mais imaginária do que real: a Inglaterra que me interessa existe na minha cabeça — feita de livros, músicas, arte, filmes e de lugares que pertenceram a outro tempo.
Como dizia Eça de Queirós sobre o "francesismo" dos portugueses, eu também importo tudo: ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, modas e bobagens — que me chegam em caixotes pelo paquete, como nos velhos navios de correio.
A Inglaterra real de hoje é outro planeta: uma sociedade tribalizada, que formou ou acolheu fanáticos antissemitas — e que tolera passeatas que clamam pelo genocídio. Amigos judeus me dizem com frequência que já não se sentem seguros em certos lugares do país.
Acredito neles. E confirmo seus temores: o Daily Telegraph informa que a partida entre Aston Villa e Maccabi Tel Aviv, pela Liga Europa, não terá a presença da torcida israelense.
"Questões de segurança", dizem as autoridades de Birmingham — um belo eufemismo, uma bela rendição. Julgava eu que a função da polícia seria garantir essa segurança sem excluir, à partida, um grupo nacional inteiro.
Se há selvagens entre os torcedores do Maccabi, que eles sejam vigiados e impedidos de entrar. Se há selvagens antissemitas do outro lado, que eles também o sejam.
Mas essas evidências não parecem pesar na Inglaterra atual.
Semanas atrás, o conhecido clérigo muçulmano de Birmingham Asrar Rashid escreveu nas redes sociais: "Quando a torcida de Tel Aviv chegar, não teremos qualquer piedade para com eles."
Na minha opinião, eis um exemplo perfeito de "discurso de ódio" com incitamento à violência. Não consta, porém, que Rashid tenha sido investigado pela polícia. Esses privilégios parecem recair apenas sobre certos humoristas — como Graham Linehan, detido no aeroporto de Heathrow em setembro após postar uma piada sobre criminosos que se fazem passar por mulheres trans para cumprir pena em presídios femininos.
O primeiro-ministro Keir Starmer condenou com veemência a exclusão da torcida israelense. Mas o que pensa fazer? Enviar o Exército a Birmingham para confrontar radicais islamistas?
Ou permitir que o termo "Judenrein" — contra o qual seus antepassados lutaram — acabe por se instituir no país que ele governa?
Melhor não apostar.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2025/10/ha-lugares
-no-reino-unido-onde-os-judeus-ja-nao-entram.shtml. Acesso em 18/10/2025
A intenção principal do autor neste texto é:
- comemorar a cultura inglesa idealizada
- apoiar discursos religiosos que incitam violência
- defender a exclusão da torcida israelense por segurança
- denunciar manifestações antissemitas e a exclusão social no Reino Unido
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Gabarito
D
Comentário do professor
O autor tem como intenção principal denunciar atos de antissemitismo e a consequente exclusão social de judeus no Reino Unido.
Isso fica claro quando ele descreve a Inglaterra como "sociedade tribalizada", relata a proibição da torcida do Maccabi Tel Aviv por "questões de segurança", cita mensagens que incitam à violência e observa a aparente inação da polícia diante desses episódios. O uso da palavra Judenrein intensifica a acusação de que há um processo de segregação e hostilidade.
O tom crítico, as perguntas retóricas dirigidas ao primeiro-ministro e os exemplos concretos servem para evidenciar e reprovar a situação denunciada, confirmando a intenção de expor e condenar o problema.
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