Questão FC869038
Em 2020, duas mulheres venceram o prêmio Nobel de química pelo desenvolvimento de uma ferramenta revolucionária de edição genética, que já foi descrita como “a reescrita do código
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VUNESP · 2026
Em 2020, duas mulheres venceram o prêmio Nobel de química pelo desenvolvimento de uma ferramenta revolucionária de edição genética, que já foi descrita como “a reescrita do código da vida”. A técnica é conhecida como Crispr/Cas9 e permite que cientistas mudem o código de DNA de maneira específica para entender e tratar doenças genéticas. Enquanto tem potencial imenso de transformar as nossas vidas, a técnica tem levantado muitas questões éticas. O cientista chinês He Jiankui foi condenado a três anos de prisão em 2019 após anunciar que bebês gêmeas nasceram com DNA modificado para torná-las resistentes ao HIV, o que ele conseguiu ao usar a ferramenta Crispr/Cas9 antes do nascimento delas. Claes Gustafsson, secretário do comitê do Nobel em química, disse que “com todas as tecnologias realmente poderosas, nas ciências biológicas ou em qualquer outra área, há possibilidade de mau uso”.
www.cnnbrasil.com.br, 07.10.2020. Adaptado.
O problema ético central apresentado no excerto refere-se à
- possibilidade de utilização de intervenções genéticas para reduzir as desigualdades no acesso à saúde.
- dificuldade da regulamentação internacional das pesquisas relacionadas à manipulação do material genético humano.
- substituição das normativas tradicionais de controle científico pela autonomia nas pesquisas de engenharia genética.
- definição de critérios que orientem a utilização de tecnologias capazes de alterar geneticamente seres humanos.
- necessidade de eliminar restrições legais que dificultam o avanço das biotecnologias.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Critérios refere-se à elaboração de regras e limites que orientem o uso de tecnologias capazes de alterar geneticamente seres humanos. O excerto problematiza não a técnica em si, mas a ausência de parâmetros éticos e normativos que definam quando, como e por quem a ferramenta pode ser empregada.
Isso envolve avaliar segurança, consentimento, risco-benefício, justiça no acesso e o impacto intergeracional de alterações no genoma germinativo. Sem normas claras, decisões individuais ou experimentos não regulados podem causar danos irreversíveis e violar direitos.
Logo, a questão central é a necessidade de um consenso científico, legal e social que traduza princípios éticos em políticas públicas, com fiscalização e responsabilidade para prevenir usos indevidos. O caso citado ilustra consequência prática da falta desses critérios.
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