Questão FC869094
Um indivíduo privado de liberdade encontra-se hospitalizado na unidade prisional após cirurgia abdominal de médio porte. No 2º dia pós-operatório, apresenta padrão respiratório sup
Sem classificação
FUNDATEC · 2026
Um indivíduo privado de liberdade encontra-se hospitalizado na unidade prisional após cirurgia abdominal de médio porte. No 2º dia pós-operatório, apresenta padrão respiratório superficial, redução da expansibilidade torácica basal, tosse ineficaz e permanência prolongada no leito. A saturação periférica de oxigênio permanece dentro da normalidade. Considerando a fisiopatologia das complicações pulmonares pós-operatórias e as evidências sobre fisioterapia respiratória, assinale a alternativa correta.
- A manutenção de valores adequados de saturação periférica de oxigênio indica menor probabilidade de alterações pulmonares pós-operatórias e pode reduzir a necessidade de monitoramento respiratório.
- A redução da capacidade residual funcional decorrente da anestesia e do repouso prolongado favorece o fechamento precoce de vias aéreas periféricas e o desenvolvimento de atelectasias.
- A tosse assistida está contraindicada em pacientes submetidos à cirurgia abdominal devido ao aumento da pressão intra-abdominal.
- As mudanças de decúbito podem contribuir para o manejo respiratório pós-operatório, embora sua aplicação esteja relacionada principalmente ao posicionamento e à mobilidade do paciente.
- Exercícios de expansão pulmonar têm como principal objetivo aumentar a força muscular periférica, não interferindo na ventilação alveolar.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa está correta porque a anestesia e o repouso prolongado reduzem a capacidade residual funcional, isto é, o volume de ar que mantém as vias aéreas abertas ao fim da expiração.
Com menor volume pulmonar há tendência ao fechamento precoce de vias aéreas periféricas, especialmente em áreas basais dependentes, decorrente da perda do tônus diafragmático e do deslocamento cefálico do diafragma. Esse fechamento favorece a retenção de ar e a reabsorção do gás alveolar, culminando em atelectasias.
A saturação pode permanecer normal inicialmente por mecanismos compensatórios, mas a atelectasia aumenta o desvio perfusão/ventilação e o risco de complicações.
A fisioterapia respiratória preventiva — mobilização precoce, exercícios de respiração profunda, incentivo inspiratório e técnicas de pressão expiratória positiva — visa aumentar a FRC e reabrir as vias aéreas, prevenindo atelectasias.
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