Questão FC869720
Quais estão corretas?
Morfologia
FUNDATEC · 2026
Estudo aponta os comportamentos mais ligados ao equilíbrio emocional
Por Arthur Almeida
A felicidade pode depender menos da conta bancária e mais da forma como as pessoas se relacionam com o mundo e com os outros. Pelo menos, é o que sugere a pesquisa internacional publicada no dia 22 de maio no International Journal of Happiness and Development, que identificou uma associação consistente entre satisfação com a vida e características como confiança, altruísmo, paciência e cooperação em indivíduos de 76 países.
Para chegar a tais conclusões, o estudo, conduzido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisou dados de aproximadamente 80 mil pessoas coletados em 2012 por meio de Pesquisa Global de Preferências e da Pesquisa Mundial Gallup, que analisaram seis traços comportamentais: paciência, disposição para correr riscos, reciprocidade positiva, reciprocidade negativa, altruísmo e confiança. O objetivo do levantamento era entender de que forma os padrões de comportamento se relacionam com o chamado bem-estar subjetivo.
Os resultados mostraram uma tendência clara: pessoas mais pacientes, confiantes, altruístas e cooperativas relataram níveis mais elevados de felicidade e satisfação com a vida. Já indicadores negativos como preocupação e tristeza estavam associados em sentido oposto.
Entre os fatores analisados, confiança e altruísmo chamaram atenção pela força da associação com satisfação pessoal. Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer porque sociedades mais cooperativas favorecem conexões sociais mais sólidas e reduzem níveis de estresse individual.
O estudo também sugere que o altruísmo pode aumentar o senso de propósito e pertencimento. Na prática, pessoas predispostas a ajudar os outros ou contribuir para causas coletivas tendem a experimentar emoções positivas com maior frequência. Os autores citam pesquisas anteriores indicando que gastos pró-sociais e atitudes cooperativas podem gerar ganhos emocionais relevantes.
A paciência apareceu como outro elemento importante. O traço foi definido pelos pesquisadores como a capacidade de abrir mão de recompensas imediatas em favor de benefícios futuros. De acordo com o estudo, indivíduos mais pacientes tendem a tomar decisões mais estáveis e associadas a melhores resultados de longo prazo, o que pode influenciar positivamente a sensação de se sentir bem.
Um dos aspectos que foram considerados deveras relevantes pelos autores é a consistência dos resultados em diferentes regiões do planeta. Apesar das diferenças econômicas, culturais e sociais entre os países analisados, a relação entre traços comportamentais e satisfação pessoal se manteve relativamente próxima da homogeneidade.
As associações foram observadas tanto em países ricos quanto em regiões menos desenvolvidas, embora algumas diferenças tenham surgido. A América do Norte apresentou correspondências mais fortes entre paciência e satisfação com a vida, enquanto países da África Subsaariana registraram associações mais fracas em determinados indicadores.
O levantamento também reforça um movimento crescente entre pesquisadores interessados em compreender a felicidade para além de fatores econômicos tradicionais. Segundo os autores, boa parte da literatura sobre o sentir-se bem ainda concentra atenção em renda, emprego e saúde, ao passo que aspectos comportamentais permanecem pouco explorados.
Apesar dos resultados expressivos, os autores destacam uma limitação importante: o estudo é correlacional . Isso significa que os dados não permitem concluir se pessoas altruístas e confiantes se tornam mais felizes ou se indivíduos felizes passam a desenvolver esses comportamentos com maior frequência.
O próprio artigo cita evidências anteriores distintas: alguns sugerem que felicidade aumenta paciência e cooperação; outros indicam que comportamentos altruístas e relações de confiança podem melhorar o equilíbrio emocional ao longo do tempo.
Mesmo assim, os autores defendem que os resultados ajudam a ampliar o debate sobre qualidade de vida e podem ter implicações para políticas públicas e ambientes corporativos. "Uma possível lição para governos e empresas seria promover iniciativas que fortaleçam essas preferências comportamentais para aumentar o estado de satisfação geral", conclui o estudo.
(Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/05/ciencia-da-felicidade-estudo-aponta-os-comportamentos-mais-ligados-ao-bem-estar.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise o seguinte fragmento, retirado do texto:
“Segundo os autores, boa parte da literatura sobre o sentir-se bem ainda concentra atenção em renda, emprego e saúde, ao passo que aspectos comportamentais permanecem pouco explorados”.
Sobre o conector “ao passo que”, analise as seguintes assertivas:
I. Pode ser substituído por “enquanto”.
II. É um operador argumentativo que revela um fato que reitera o anterior.
III. Evidencia a ideia de generalização em relação ao período que o antecede.
Quais estão corretas?
- Apenas I.
- Apenas II.
- Apenas III.
- Apenas I e II.
- Apenas II e III.
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Gabarito
A
Comentário do professor
"Ao passo que" funciona aqui como conjunção que estabelece contraste ou simultaneidade entre duas ideias: uma realidade focalizada em renda, emprego e saúde e outra relativa aos aspectos comportamentais.
Substituir por "enquanto" preserva esse sentido e mantém a coesão da oração. Por exemplo: "boa parte da literatura... concentra atenção em renda, emprego e saúde, enquanto aspectos comportamentais permanecem pouco explorados".
Ambas as locuções articulam duas proposições em relação de comparação/oposição temporal, sem alterar a intenção do autor, apenas mudando o registro estilístico.
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