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Questão FC869723

A finalidade da sociedade e o bem comum Por Gazeta do Povo As pessoas, convivendo em sociedade, desejam alcançar metas comuns, desenvolver-se, melhorar. Ninguém se conforma em ver

Colocação Pronominal

FUNDATEC · 2026

A finalidade da sociedade e o bem comum

 

Por Gazeta do Povo

 

As pessoas, convivendo em sociedade, desejam alcançar metas comuns, desenvolver-se, melhorar. Ninguém se conforma em ver seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país estagnado, apenas subsistindo ou se mantendo igual. E apenas uma concepção abrangente de bem comum, de desenvolvimento humano e social – e que tem também uma inescapável dimensão ética – dá conta dessas expectativas. A expressão “bem comum” e algumas de suas variantes estão na letra da lei e na boca dos políticos; mais complicado é saber exatamente no que consiste esse bem comum.

 

Um equívoco frequente é o de associá-lo apenas à prosperidade material, com base na mera soma dos bens disponíveis que compõem uma sociedade – quase como se fôssemos usar o PIB per capita como critério para avaliar o bem comum. Como veremos, os bens materiais constituem, sim, o bem comum, mas são apenas uma parte dele – e nem mesmo a parte mais importante. Outro engano consiste em acreditar que o bem comum é “a felicidade do maior número de indivíduos”, como defendem os utilitaristas: essa mentalidade justificaria até desrespeitos aos direitos básicos de alguns, se isso viesse a beneficiar um grupo maior. Isso talvez fosse o “bem da maioria”, mas não o “bem comum”. Este é um projeto coletivo que inclui a todos.

 

Quando se excluem algumas possibilidades, fica mais fácil definir o que é o bem comum. Ele é uma situação, um estado de coisas que facilita – ou pelo menos não dificulta – a cada indivíduo a possibilidade de perseguir, se assim o desejar, o próprio desenvolvimento integral (isto é, do caráter, profissional, econômico, social etc.) e sua realização por meio da busca da excelência.

 

E, infelizmente, são muitas as circunstâncias que dificultam o desenvolvimento integral de cada pessoa. Pensemos na ausência de referências morais e estéticas, no caos normativo e institucional, na insegurança jurídica ou naquela que deixa o cidadão temeroso de sair à rua, na indigência intelectual e científica, na desconfiança generalizada, na miséria que impede suas vítimas de se dedicar a qualquer outra coisa que não seja sua sobrevivência. A preocupação com o bem comum exige um combate sem trégua a essas situações.

 

Como o sentido da vida em sociedade deve ser o de proporcionar a cada um maiores chances de realização, o bem comum pressupõe uma série de valores imateriais – a presença de valores culturais e artísticos, um ambiente de paz e justiça, conhecimentos científicos e tecnológicos e um clima geral de estímulo pela busca da excelência – assim como bens materiais que tornam possível o desenvolvimento ancorado nesse clima e nesses valores.

 

Nesse sentido, os primeiros têm uma evidente precedência. São mais importantes e são os que tornam realmente bem estruturada uma sociedade. Facilitam, por sua vez, o aumento paulatino e equilibrado da prosperidade material. E, dentre aqueles componentes imateriais do bem comum, parece-nos que o mais decisivo, o que teria maior impacto no bem-estar geral, seria a existência, na sociedade, de uma convicção amplamente difundida de que há uma excelência moral que deve ser perseguida; mais, que merece ser perseguida. Convicção amplamente difundida e, pelo menos, concretizada na vida de muitos cidadãos. A convicção de que as virtudes são o que há de mais valioso na vida humana é o melhor alicerce para se construir uma sociedade promissora.

 

O alcance de um elevado nível de bem comum não é, ao contrário do que poderia parecer a muitos, uma incumbência fundamentalmente do governo. O Estado tem um papel importante – sem ele, por exemplo, seria impossível construir o ambiente de paz e justiça que elencamos como valor importante para o bem comum –, mas as pessoas e as organizações da sociedade civil, no seu conjunto, têm um impacto maior nesta tarefa. Se pensarmos na influência da família, das escolas, dos meios de comunicação, das artes; se pensarmos no valor que um exemplo de heroísmo no cotidiano de pessoas comuns pode ter, perceberemos facilmente a responsabilidade imensa que todos têm na construção do bem comum.

 

(Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova).

 

Considerando isoladamente as frases apresentadas e a correta substituição de termos por pronomes, analise as assertivas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

 

( ) Na frase “como critério para avaliar o bem comum”, o termo sublinhado poderia ser substituído por “lo”, desde que o verbo “avaliar” assumisse a forma “avaliá-”.

 

( ) Na frase “como defendem os utilitaristas”, o termo sublinhado poderia ser substituído por “los”, mantendo-se a mesma forma do verbo “defendem”.

 

( ) Na frase “na miséria que impede suas vítimas”, o termo sublinhado poderia ser substituído por “nas”, desde que o verbo “impede” assumisse a forma “impedem”.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. V – V – V.
  2. V – F – V.
  3. V – F – F.
  4. F – V – F.
  5. F – F – V.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Primeira assertiva (V): "o bem comum" exerce função de objeto direto. Colocado após o infinitivo "avaliar" ocorre a ênclise com mudança do pronome "o" para "lo", formando "avaliá-lo". Mantém‑se o hífen e a acentuação em "avaliá" por ser oxítona terminada em a, logo "avaliá‑lo" é correto.

Segunda assertiva (F): "os utilitaristas" é sujeito do verbo "defendem". Pronomes oblíquos não substituem sujeito. O substituto correto seria um pronome reto ("eles"), não "los" ou similar.

Terceira assertiva (F): na oração "na miséria que impede suas vítimas", o relativo "que" atrai o pronome para a próclise, resultando em "que as impede". Além disso o verbo concorda com "miséria" (singular), portanto não pode ficar "impedem". Substituições por "nas" e "impedem" são inadequadas.

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