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Questão FC869768

Mantendo a correção gramatical e o sentido original do trecho, qual das alterações a seguir seria obrigatoriamente necessária caso “tornar” fosse substituído por “transformar”?

Sintaxe

FUNDATEC · 2026

Saiba como evitar a autossabotagem

 

Por Erica Sweeney

 

O prazo de entrega da tarefa está no seu calendário há semanas. Mas, na noite anterior, o trabalho ainda não está concluído. Talvez você tenha subestimado o tempo necessário, pensado demais em como fazer tudo certo ou se preocupado com a recepção do público. Se esse cenário lhe parece familiar, você pode estar vivenciando uma forma de autossabotagem, um padrão "que impomos a nós mesmos, muitas vezes inconscientemente, e que acaba sabotando nossas vidas, nossos planos ou até nossos objetivos", afirma Charlie Heriot-Maitland, psicóloga clínica.

 

Em vez de uma falta de motivação ou disciplina, a autossabotagem pode ter origem na forma como o cérebro reage a ameaças percebidas. Heriot-Maitland argumenta que ela pode "derivar de mecanismos evolutivos de sobrevivência".

 

O resultado é um ciclo silencioso: comportamentos que parecem protetores no momento — adiamento, evitação, autocrítica — podem impedir que as pessoas alcancem os objetivos que mais lhes importam, muitas vezes sem que elas se deem conta. "Muitos desses ciclos de medo apenas os mantêm estagnados ou até mesmo os fazem regredir", acrescenta Heriot-Maitland.

 

Entender por que a autossabotagem acontece, dizem os pesquisadores, é o primeiro passo para interrompê-la. A autossabotagem se refere a pensamentos e sentimentos que minam seus objetivos de longo prazo, afirma Tim Pychyl, psicólogo que estuda a procrastinação. A maioria das pessoas experimenta alguma forma de autossabotagem em algum momento, dizem os pesquisadores, embora para algumas ela permaneça ocasional, enquanto para outras se torna persistente e prejudicial.

 

Ela pode assumir muitas formas diferentes, incluindo procrastinação, compulsão alimentar, gastos excessivos, obsessão por jogos de azar ou vícios diversos, afirma Pychyl. Além de comportamentos nocivos como perfeccionismo, pessimismo, autocrítica ou automutilação, acrescenta Heriot-Maitland. O estresse é um dos fatores que pode ativar o mecanismo de autossabotagem e aprender a lidar melhor com as emoções pode contribuir com a saúde mental.

 

O que leva à autossabotagem? Provavelmente há uma profusão de causas, e mais pesquisas são necessárias para compreendê-la completamente, afirma Philip Jean-Richard Dit Bressel, professor da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, que se debruça sobre a psicobiologia da tomada de decisões e do comportamento.

 

Um mecanismo fundamental é a resposta de luta ou fuga, ou resposta ao estresse, explica Pychyl. De uma perspectiva evolutiva, a resposta foi projetada para proteger o indivíduo de ameaças que representavam risco de morte para os primeiros humanos. Ameaças modernas, como prazos ou críticas, ainda podem ativar essa resposta, mesmo que não sejam fisicamente perigosas, acrescenta Pychyl.

 

Quando isso acontece, as pessoas podem recorrer a comportamentos que reduzem o desconforto ou proporcionam uma sensação de segurança momentânea, como ignorar prazos, tomar decisões precipitadas ou ser autocríticas, mesmo quando essas escolhas frequentemente geram consequências, afirma Heriot-Maitland. Dessa forma, a autossabotagem se torna um mecanismo de autoproteção. Além disso, sob estresse, a atividade no córtex pré-frontal do cérebro — responsável pelo planejamento e autocontrole — pode ser reduzida, dificultando a supressão dos impulsos de evitação gerados pela amígdala.

 

A autossabotagem também pode ser aprendida e se tornar um hábito. As experiências da infância podem ser importantes. Algumas pesquisas sugerem que pessoas que sofreram negligência emocional por parte dos pais ou que tiveram pais emocionalmente imaturos podem ser mais propensas à autossabotagem.

 

O medo do fracasso é outro fator comum, afirma Hal Hershfield, da Universidade da Califórnia: "Ironicamente, o medo de fracassar me impede de fazer algo, e então acabo fracassando". As pessoas também tendem a supervalorizar o presente e desconsiderar o futuro, o que leva à procrastinação, diz Hershfield. Muitas pessoas também "simplesmente têm muita dificuldade em associar ações a resultados", acrescenta Jean-Richard Dit Bressel.

 

(Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/o-que-acontece-no-cerebro-quando-procrastinamos-saiba-como-evitar-a-autossabotagem – texto adaptado especialmente para esta prova).

 

Para responder à questão, considere o seguinte fragmento do texto:

 

“A autossabotagem também pode ser aprendida e se tornar um hábito”.

 

Mantendo a correção gramatical e o sentido original do trecho, qual das alterações a seguir seria obrigatoriamente necessária caso “tornar” fosse substituído por “transformar”?

  1. Nenhuma alteração obrigatória seria necessária.
  2. Supressão da partícula “se”.
  3. Inserção de preposição, considerando a regência do verbo.
  4. Supressão do artigo indefinido.
  5. Inserção de uma conjunção, considerando a relação de dependência entre os termos.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Inserção de preposição é necessária porque muda a regência do verbo. Em se tornar um hábito, tornar-se funciona como verbo de ligação que admite o predicativo sem preposição.

Já transformar, quando usado de forma pronominal para indicar mudança de estado, exige a preposição em para marcar o resultado da transformação: transformar-se em um hábito.

Portanto, para manter correção e sentido originais, deve-se inserir a preposição em ao substituir tornar por transformar, passando a construção a exigir regência indireta.

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