Questão FC869812
A guerra não tem rosto de mulher Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mu
Sintaxe
IDECAN · 2026
A guerra não tem rosto de mulher
Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mulheres militares, acha que elas iam para a guerra procurar noivo, que todas tinham casos por lá. E, apesar disso, na verdade, se a gente pode falar francamente, elas eram, em sua maioria, mulheres direitas. Puras, mas depois da guerra... Depois da sujeira, depois dos piolhos, depois das mortes...A gente queria algo bonito. Claro. Mulheres bonitas. Eu tinha um amigo; no front: uma moça maravilhosa, pelo que me lembro, apaixonou-se por ele, uma enfermeira, mas ele não casou com ela: deu baixa e encontrou para si uma outra, mas bonitinha. E é infeliz com a esposa. Agora, fica lembrando da outra, do seu amor de guerra, essa sim, seria uma amiga. Depois do front, ele a deixou porque tinha passado quatro anos vendo a moça com botas gastas e casaco acolchoado masculino.
ALEKSIÉVITCH, Svethana. A guerra não tem rosto de mulher. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.119.
No período em evidência, a oração ressaltada é tipificada como:
“[...] ele a deixou porque tinha passado quatro anos vendo a moça com botas gastas e casaco acolchoado masculino.”
- subordinada adverbial causal.
- coordenada sindética conclusiva.
- coordenada sindética explicativa.
- subordinada adverbial concessiva.
- subordinada adverbial condicional.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa A está correta: a oração "porque tinha passado quatro anos vendo a moça com botas gastas e casaco acolchoado masculino" é uma subordinada adverbial causal.
É subordinada porque depende sintaticamente da oração principal "ele a deixou"; não tem sentido completo isolada e funciona como termo integrante da frase principal.
É adverbial causal porque indica o motivo da ação expressa na oração principal: explica por que ele a deixou.
O teste da paráfrase confirma o valor de causa: "ele a deixou por ter passado quatro anos vendo a moça..." mantém o mesmo sentido, evidenciando a relação causal.
Portanto, a oração introduzida por porque exerce função circunstancial de causa em relação à ação principal.
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