Questão FC869814
É tudo quanto eu tenho neste mundo?
Sintaxe
VUNESP · 2026
Para responder à questão, leia o soneto da poeta portuguesa Florbela Espanca.
O MAIOR BEM
Este querer-te bem sem me quereres,
Este sofrer por ti constantemente,
Andar atrás de ti sem tu me veres
Faria piedade a toda a gente.
Mesmo a beijar-me, a tua boca mente...
Quantos sangrentos beijos de mulheres
Pousa na minha a tua boca ardente,
E quanto engano nos seus vãos dizeres!...
Mas que me importa a mim que me não queiras,
Se esta pena, esta dor, estas canseiras,
Este mísero pungir, árduo e profundo,
Do teu frio desamor, dos teus desdéns,
É na vida, o mais alto dos meus bens?
É tudo quanto eu tenho neste mundo?
(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)
“Este querer-te bem sem me quereres,” (1ª estrofe)
Ao se transpor a oração reduzida “sem me quereres” para uma oração desenvolvida, seu verbo assume a seguinte forma:
- querias.
- quiseste.
- queres.
- quererás.
- queiras.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Ao desenvolver a oração reduzida “sem me quereres”, introduz-se o conector que, formando “sem que me ...”. O verbo passa, então, para o modo exigido pela oração subordinada introduzida por que, ficando queiras, isto é, “sem que me queiras”.
Gramaticamente, a preposição sem seguida de oração desenvolvida pede o modo subjuntivo, porque expressa a não realização ou a ausência de ação (ideia de negação/hipótese). Como a ação é simultânea ao enunciado, usa‑se o presente do subjuntivo.
Além disso, a pessoa gramatical é a 2.ª do singular (tu), daí a forma adequada ser queiras.
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