Questão FC869831
A guerra não tem rosto de mulher Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mu
Regência
IDECAN · 2026
A guerra não tem rosto de mulher
Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mulheres militares, acha que elas iam para a guerra procurar noivo, que todas tinham casos por lá. E, apesar disso, na verdade, se a gente pode falar francamente, elas eram, em sua maioria, mulheres direitas. Puras, mas depois da guerra... Depois da sujeira, depois dos piolhos, depois das mortes...A gente queria algo bonito. Claro. Mulheres bonitas. Eu tinha um amigo; no front: uma moça maravilhosa, pelo que me lembro, apaixonou-se por ele, uma enfermeira, mas ele não casou com ela: deu baixa e encontrou para si uma outra, mas bonitinha. E é infeliz com a esposa. Agora, fica lembrando da outra, do seu amor de guerra, essa sim, seria uma amiga. Depois do front, ele a deixou porque tinha passado quatro anos vendo a moça com botas gastas e casaco acolchoado masculino.
ALEKSIÉVITCH, Svethana. A guerra não tem rosto de mulher. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.119.
Em se tratando da regência do verbo destacado a seguir, é correto afirmar que:
“Agora, fica lembrando da outra, do seu amor de guerra [...]”
- respeita as regras cristalizadas de regência verbal, pois o verbo lembrar é transitivo indireto, exigindo, assim, a preposição de.
- respeita as regras cristalizadas de regência verbal, pois o verbo lembrar, ao ser acompanhado por um verbo auxiliar, a exemplo do ficar, exige um objeto direto, embora preposicionado.
- há uma infração à regra canônica de regência verbal, uma vez que a presença da preposição subsequente ao verbo lembrar exige a forma pronominal desse verbo.
- há uma infração à regra canônica de regência verbal, uma vez que o verbo lembrar é bitransitivo, exigindo, desse modo, um objeto direto e outro indireto.
- há uma infração à regra canônica de regência verbal, uma vez que o verbo lembrar, por ser de natureza pronominal, não exige o acompanhamento de qualquer preposição.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Resposta certa: a alternativa explica que há infração à regência canônica do verbo lembrar.
Na norma tradicional, lembrar sem pronome é transitivo direto: lembra alguém/algo (ex.: lembrou a outra). Já a estrutura com preposição de pertence à forma pronominal lembrar‑se de (ex.: lembrou‑se da outra).
No trecho “Agora, fica lembrando da outra...” o verbo aparece sem o pronome, mas o complemento vem introduzido por de (contraído em da), o que contraria a regência normativa.
Para respeitar a norma-padrão, seria necessário empregar lembrando‑se da outra ou suprimir a preposição, por exemplo lembrando a outra.
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