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Questão FC869838

A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha

Regência

Instituto AOCP · 2026

Considere o texto a seguir para responder a questão

 

Texto 1

 

A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um acha que fechará a discussão; o outro quer fomentá-la

 

Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes

 

A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado que abordo uma miríade de temas. Seria eu um tudólogo?

 

Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista, independentemente da matéria em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois ninguém consegue ser especialista em tudo.

 

No meio online, vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia. Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.

 

Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica.

 

Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes.

 

O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo, pensar e formular a opinião – mas a busca do engajamento em redes sociais estimula a pressa em postar. A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial. Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é: pensar profundamente exige tempo. Infelizmente, virou comum usar a IA como perna e não como a muleta que deveria ser.

 

Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes. Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade. O provérbio “ o papel aceita tudo” vale também para o meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação, como o Our World in Data, que se vale de dados compilados pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais, mesmo de especialistas, não são condição suficiente para autoridade; é preciso checar se há validação por pares.

 

E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero entender o mundo que me cerca com seus grandes problemas e desafios. E gosto de trazer esta inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento quantitativo e a fonte das minhas análises – o que automaticamente abre a possibilidade de outros também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias conclusões.

 

Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la. E longe da soberba intelectual.

 

Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-o curioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-

o-curioso-um-acha-que fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan. 2026.

 

Assinale a alternativa correta a respeito do sinal indicativo de crase.

  1. No excerto “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]”, o termo em destaque poderia receber o acento grave, pois, nesse caso, a crase é facultativa.
  2. Em “Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso […]”, o vocábulo destacado poderia receber o acento grave por se tratar de um caso em que seu uso é facultativo.
  3. Em “A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.”, o termo destacado leva acento grave devido à regência do verbo “delegar” e à presença do substantivo feminino “inteligência”.
  4. No excerto “E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas […]”, o uso da crase, no termo destacado, é obrigatório pela presença do vocábulo “maneira”, o qual é feminino.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Regra: a crase ocorre quando há a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com pronomes demonstrativos iniciados por a, formando à.

No período, o verbo delegar exige regência: delegar algo a alguém. Isso indica a presença da preposição obrigatória.

O termo seguinte, inteligência artificial, é um substantivo feminino que admite o artigo feminino a (a inteligência artificial).

Logo, temos preposição a + artigo a = à. Um teste prático: substituir por pronome resulta em “delegar o assunto a ela”, confirmando a preposição. Portanto o acento grave é obrigatório.

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