Questão FC869865
A guerra não tem rosto de mulher Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mu
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
IDECAN · 2026
A guerra não tem rosto de mulher
Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mulheres militares, acha que elas iam para a guerra procurar noivo, que todas tinham casos por lá. E, apesar disso, na verdade, se a gente pode falar francamente, elas eram, em sua maioria, mulheres direitas. Puras, mas depois da guerra... Depois da sujeira, depois dos piolhos, depois das mortes...A gente queria algo bonito. Claro. Mulheres bonitas. Eu tinha um amigo; no front: uma moça maravilhosa, pelo que me lembro, apaixonou-se por ele, uma enfermeira, mas ele não casou com ela: deu baixa e encontrou para si uma outra, mas bonitinha. E é infeliz com a esposa. Agora, fica lembrando da outra, do seu amor de guerra, essa sim, seria uma amiga. Depois do front, ele a deixou porque tinha passado quatro anos vendo a moça com botas gastas e casaco acolchoado masculino.
ALEKSIÉVITCH, Svethana. A guerra não tem rosto de mulher. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.119.
No excerto a seguir, a repetição do vocábulo demarcado indica uma coesão do tipo:
“Puras, mas depois da guerra...Depois da sujeira, depois dos piolhos, depois das mortes...A gente queria algo bonito.”
- sequencial frástica.
- referencial elíptica.
- sequencial parafrástica.
- referencial por uso de uma pró-forma.
- referencial por uso de uma forma lexical.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A opção correta é a coesão sequencial parafrástica. Esse tipo de coesão ocorre quando o texto expande e reitera uma mesma ideia por meio da repetição ou do desdobramento, em vez de empregar conectivos ou pronomes para retomá‑la.
No trecho, a sucessão de "depois" seguida por expressões distintas ("da guerra", "da sujeira", "dos piolhos", "das mortes") constitui um paralelismo que amplia progressivamente a ideia inicial. Cada item acrescenta informação e intensifica o sentido geral.
O efeito textual é de ritmo e acumulação: a repetição de "depois" cria continuidade temporal e semântica, fazendo o enunciado crescer por reformulação e detalhamento da mesma noção.
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