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Questão FC869871

O Silêncio sob os Escombros e a Geopolítica do Terror Antenor Teixeira de Almeida Júnior A conivência internacional diante da sistemática aniquilação de estruturas civis no Irã ati

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

IDECAN · 2026

O Silêncio sob os Escombros e a Geopolítica do Terror

Antenor Teixeira de Almeida Júnior

 

A conivência internacional diante da sistemática aniquilação de estruturas civis no Irã atingiu um patamar de degradação moral insustentável após o bombardeio que ceifou a vida de 168 crianças em uma instituição de ensino. Sob o pretexto de neutralizar alvos estratégicos, a coalizão entre Estados Unidos e Israel transgride não apenas as fronteiras geográficas, mas os pilares mais elementares do Direito Internacional Humanitário, convertendo escolas em necrópoles e o futuro de uma nação em dano colateral. O que se testemunha não é uma manobra defensiva de precisão, mas uma demonstração de força bruta que utiliza a assimetria bélica para punir populações vulneráveis, revelando um desprezo absoluto pela distinção entre combatentes e inocentes.

 

O argumento da autodefesa, frequentemente esgrimido por Washington e Tel Aviv para justificar incursões em solo iraniano, desmorona diante do massacre de crianças em idade escolar. Quando mísseis de alta tecnologia são direcionados a um ambiente de aprendizado, a narrativa de erro técnico ou de escudos humanos torna-se uma retórica cínica que visa mascarar o terrorismo de Estado. A história ensina que a destruição de infraestruturas educacionais é um método eficaz de desarticulação social a longo prazo, mas o custo humanitário dessa estratégia é uma mancha indelével na consciência das potências que se autointitulam guardiãs da democracia e da liberdade.

 

Ademais, a paralisia dos órgãos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, diante da agressão unilateral das forças ocidentais, reforça a percepção de uma justiça seletiva que opera conforme os interesses do capital e do controle energético. Ao ignorar as vozes que clamam por sanções contra os agressores e ao permitir que 168 vidas infantis sejam reduzidas a estatísticas em relatórios burocráticos, a comunidade internacional torna-se cúmplice por omissão. A paz não será alcançada por meio de ataques que semeiam o ódio em gerações inteiras; ao contrário, a violência desenfreada contra o Irã apenas alimenta o ciclo de retaliações que ameaça a estabilidade global.

 

Em suma, é imperativo que o mundo desperte para a urgência de cessar a impunidade que protege os autores desse infanticídio deliberado. A condenação dos ataques de Estados Unidos e Israel não deve ser apenas um gesto diplomático de conveniência, mas um movimento concreto de ruptura com a lógica da barbárie travestida de ordem mundial. Se a morte de centenas de crianças dentro de uma sala de aula não for capaz de reverter a engrenagem da guerra, o que restará da nossa humanidade será apenas o eco de um silêncio covarde sobre os escombros da civilização.

 

A coesão textual não se limita à mera ligação entre palavras, ela constitui uma rede de remissões e sequenciações que orientam a interpretação do leitor.

 

Com base nos mecanismos de referenciação e conectividade empregados no texto, analise as proposições abaixo e assinale a alternativa tecnicamente correta.

  1. No trecho “O que se testemunha não é uma manobra defensiva de precisão”, o termo “O que” funciona como um recurso de coesão catafórica, antecipando a ideia de “manobra defensiva” que será desenvolvida ao longo do segundo parágrafo para situar o leitor no tempo do discurso.
  2. A conjunção “Ademais”, que inicia o terceiro parágrafo, estabelece uma relação de oposição em relação aos argumentos apresentados nos parágrafos anteriores, funcionando como um operador que retifica a tese central para introduzir uma nova perspectiva geopolítica.
  3. No segmento “essa estratégia é uma mancha indelével”, o pronome demonstrativo “essa” realiza uma função de coesão anafórica encapsuladora, retomando e sintetizando toda a unidade de conteúdo anterior relativa à destruição de infraestruturas educacionais como método de desarticulação social.
  4. No último parágrafo, o conector “Em suma” introduz uma sequência de caráter explicativo-causal, cuja finalidade é justificar as premissas levantadas no início do texto, sem, contudo, encerrar a progressão temática do gênero editorial.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Explicação: O pronome demonstrativo "essa" atua como elemento de coesão do tipo anafórico, porque aponta para informações já apresentadas no trecho anterior. Em vez de retomar palavra por palavra, ele condensa uma sequência de ideias complexas em um único referente: "essa estratégia" remete à destruição de infraestruturas educacionais e à função socialmente desestruturante dessa prática.

Ao encapsular o conteúdo anterior, o pronome permite uma retomada sintética que estabelece continuidade textual e facilita a interpretação do leitor. A frase seguinte, "é uma mancha indelével", faz então a avaliação condenatória dessa unidade resumida, cobrindo tanto o aspecto humanitário quanto suas consequências sociais.

Portanto, a função de cohesão anafórica encapsuladora atribuída ao pronome é precisa: ele retoma, sintetiza e conecta o segmento anterior ao comentário conclusivo, mantendo a unidade e a progressão do discurso.

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