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Questão FC869889

Considere o texto a seguir para responder a questão Entre Promessas e Tensões: a Inteligência Artificial como Espelho da Condição Tecno-Humana Antenor Teixeira de Almeida Júnior A

Interpretação de Textos (Compreensão)

IDIB · 2026

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

Entre Promessas e Tensões:

 

a Inteligência Artificial como Espelho da Condição Tecno-Humana

 

Antenor Teixeira de Almeida Júnior

 

A Inteligência Artificial ultrapassou há muito os limites da ficção científica, antes simbolizada por obras como Frankenstein (1818), de Mary Shelley, frequentemente evocada como uma reflexão inaugural sobre a criação de inteligências artificiais e suas implicações éticas. No século XXI, essa tecnologia consolidou-se como presença concreta no cotidiano, operando desde algoritmos que organizam informações até sistemas capazes de produzir textos, imagens e diagnósticos especializados. Ao assumir um papel mediador nas relações sociais, nas práticas educacionais e nas decisões institucionais, a IA impõe um desafio que vai além do entusiasmo ou do temor. Torna-se, portanto, imprescindível analisá-la de forma crítica, reconhecendo que seus efeitos positivos e negativos decorrem do fato de amplificar, simultaneamente, as potencialidades e as fragilidades humanas.

 

Entre os aspectos positivos, destaca-se a capacidade da IA de potencializar processos cognitivos e produtivos. No campo da educação, por exemplo, ela pode favorecer a personalização da aprendizagem, ampliar o acesso à informação e auxiliar estudantes com diferentes ritmos e necessidades. Em áreas como a saúde e a pesquisa científica, sistemas inteligentes contribuem para análises mais rápidas e precisas, otimizando tempo e recursos. Assim, quando utilizada de forma ética e orientada por critérios claros, a IA pode atuar como ferramenta de inclusão, eficiência e democratização do conhecimento.

 

Entretanto, os efeitos negativos do uso indiscriminado da Inteligência Artificial também merecem atenção. A dependência excessiva dessas tecnologias pode enfraquecer a autonomia intelectual, reduzindo o exercício do pensamento crítico e da criatividade. Além disso, algoritmos treinados com bases de dados enviesadas tendem a reproduzir desigualdades sociais, reforçando discriminações já existentes. Soma-se a isso o risco da substituição acrítica do trabalho humano, especialmente em contextos nos quais a lógica da produtividade se sobrepõe à dignidade social.

 

Outro ponto sensível diz respeito à dimensão ética e política da IA. A coleta massiva de dados, muitas vezes sem transparência, coloca em xeque a privacidade e o direito à autodeterminação informacional. Ademais, quando decisões relevantes passam a ser mediadas por sistemas opacos, surge o problema da responsabilização: quem responde pelos erros de uma máquina? Nesse sentido, a ausência de regulamentação adequada e de letramento digital e em IA da população amplia o abismo entre aqueles que dominam essas ferramentas e aqueles que apenas sofrem seus efeitos.

 

Dessa forma, o debate sobre a Inteligência Artificial não deve se limitar a uma oposição simplista entre progresso e ameaça. Trata-se, antes, de reconhecer que a IA é um artefato sociotécnico, cujos impactos dependem das escolhas humanas que orientam seu desenvolvimento e uso. Investir em educação crítica, em políticas públicas regulatórias e em uma ética da responsabilidade torna-se essencial para que essa tecnologia contribua para o bem comum, sem obscurecer aquilo que nos constitui como sujeitos pensantes, históricos e sociais.

 

Considerando o desenvolvimento argumentativo do texto, identifica-se como posição central do autor a ideia de que a Inteligência Artificial deve ser compreendida como:

  1. uma ameaça inevitável à autonomia humana, sobretudo no campo do trabalho e da educação.
  2. uma tecnologia neutra, cujos impactos dependem exclusivamente do avanço técnico.
  3. um instrumento predominantemente positivo, capaz de superar desigualdades sociais históricas.
  4. um fenômeno restrito ao campo científico, com efeitos limitados à pesquisa especializada.
  5. um artefato sociotécnico que amplia potencialidades e fragilidades humanas conforme seu uso.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa aponta que a IA é um artefato sociotécnico, ou seja, produto técnico imbricado em contextos sociais e decisões humanas. O texto sustenta que sua natureza não é neutra.


Ao enfatizar que amplia potencialidades e fragilidades humanas, o autor mostra que a IA pode tanto fomentar inclusão, eficiência e avanços científicos quanto reproduzir vieses, reduzir autonomia intelectual e ameaçar empregos.


O elemento decisivo é o uso: escolhas de desenvolvimento, bases de dados e regimes de aplicação determinam se os efeitos serão benéficos ou nocivos.


Por isso o autor defende investimento em educação crítica, políticas públicas regulatórias e uma ética da responsabilidade para orientar a tecnologia rumo ao bem comum.

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