Questão FC869912
Saiba como evitar a autossabotagem Por Erica Sweeney O prazo de entrega da tarefa está no seu calendário há semanas. Mas, na noite anterior, o trabalho ainda não está concluído. Ta
FUNDATEC · 2026
Saiba como evitar a autossabotagem
Por Erica Sweeney
O prazo de entrega da tarefa está no seu calendário há semanas. Mas, na noite anterior, o trabalho ainda não está concluído. Talvez você tenha subestimado o tempo necessário, pensado demais em como fazer tudo certo ou se preocupado com a recepção do público. Se esse cenário lhe parece familiar, você pode estar vivenciando uma forma de autossabotagem, um padrão "que impomos a nós mesmos, muitas vezes inconscientemente, e que acaba sabotando nossas vidas, nossos planos ou até nossos objetivos", afirma Charlie Heriot-Maitland, psicóloga clínica.
Em vez de uma falta de motivação ou disciplina, a autossabotagem pode ter origem na forma como o cérebro reage a ameaças percebidas. Heriot-Maitland argumenta que ela pode "derivar de mecanismos evolutivos de sobrevivência".
O resultado é um ciclo silencioso: comportamentos que parecem protetores no momento — adiamento, evitação, autocrítica — podem impedir que as pessoas alcancem os objetivos que mais lhes importam, muitas vezes sem que elas se deem conta. "Muitos desses ciclos de medo apenas os mantêm estagnados ou até mesmo os fazem regredir", acrescenta Heriot-Maitland.
Entender por que a autossabotagem acontece, dizem os pesquisadores, é o primeiro passo para interrompê-la. A autossabotagem se refere a pensamentos e sentimentos que minam seus objetivos de longo prazo, afirma Tim Pychyl, psicólogo que estuda a procrastinação. A maioria das pessoas experimenta alguma forma de autossabotagem em algum momento, dizem os pesquisadores, embora para algumas ela permaneça ocasional, enquanto para outras se torna persistente e prejudicial.
Ela pode assumir muitas formas diferentes, incluindo procrastinação, compulsão alimentar, gastos excessivos, obsessão por jogos de azar ou vícios diversos, afirma Pychyl. Além de comportamentos nocivos como perfeccionismo, pessimismo, autocrítica ou automutilação, acrescenta Heriot-Maitland. O estresse é um dos fatores que pode ativar o mecanismo de autossabotagem e aprender a lidar melhor com as emoções pode contribuir com a saúde mental.
O que leva à autossabotagem? Provavelmente há uma profusão de causas, e mais pesquisas são necessárias para compreendê-la completamente, afirma Philip Jean-Richard Dit Bressel, professor da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, que se debruça sobre a psicobiologia da tomada de decisões e do comportamento.
Um mecanismo fundamental é a resposta de luta ou fuga, ou resposta ao estresse, explica Pychyl. De uma perspectiva evolutiva, a resposta foi projetada para proteger o indivíduo de ameaças que representavam risco de morte para os primeiros humanos. Ameaças modernas, como prazos ou críticas, ainda podem ativar essa resposta, mesmo que não sejam fisicamente perigosas, acrescenta Pychyl.
Quando isso acontece, as pessoas podem recorrer a comportamentos que reduzem o desconforto ou proporcionam uma sensação de segurança momentânea, como ignorar prazos, tomar decisões precipitadas ou ser autocríticas, mesmo quando essas escolhas frequentemente geram consequências, afirma Heriot-Maitland. Dessa forma, a autossabotagem se torna um mecanismo de autoproteção. Além disso, sob estresse, a atividade no córtex pré-frontal do cérebro — responsável pelo planejamento e autocontrole — pode ser reduzida, dificultando a supressão dos impulsos de evitação gerados pela amígdala.
A autossabotagem também pode ser aprendida e se tornar um hábito. As experiências da infância podem ser importantes. Algumas pesquisas sugerem que pessoas que sofreram negligência emocional por parte dos pais ou que tiveram pais emocionalmente imaturos podem ser mais propensas à autossabotagem.
O medo do fracasso é outro fator comum, afirma Hal Hershfield, da Universidade da Califórnia: "Ironicamente, o medo de fracassar me impede de fazer algo, e então acabo fracassando". As pessoas também tendem a supervalorizar o presente e desconsiderar o futuro, o que leva à procrastinação, diz Hershfield. Muitas pessoas também "simplesmente têm muita dificuldade em associar ações a resultados", acrescenta Jean-Richard Dit Bressel.
(Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/o-que-acontece-no-cerebro-quando-procrastinamos-saiba-como-evitar-a-autossabotagem – texto adaptado especialmente para esta prova).
Com base no texto, analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. A procrastinação está sempre presente no cotidiano de todas as pessoas.
VISTO QUE
II. Embora ocasionalmente, todos praticam a autossabotagem durante a vida.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
- As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
- As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
- A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
- A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
- As asserções I e II são proposições falsas.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
I e II são falsas. O texto não afirma que a procrastinação esteja sempre presente no cotidiano de todas as pessoas; afirma que a maioria experimenta algum tipo de autossabotagem em algum momento e que, para uns, ela é ocasional e, para outros, persistente. Portanto, não há generalização absoluta sobre presença contínua da procrastinação para todos.
Do mesmo modo, a assertiva de que todos praticam autossabotagem, ainda que ocasionalmente, contraria o enunciado do texto, que usa termos relativos como maioria e distingue graus de ocorrência. Assim, não se pode inferir a universalidade do comportamento, tornando a segunda assertiva falsa.
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