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Questão FC869924

Leia o Texto III e responda a questão Texto III O RIO DA MINHA ALDEIA O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBADE · 2026

Leia o Texto III e responda a questão

 

Texto III

O RIO DA MINHA ALDEIA

 

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

 

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

 

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

 

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

 

Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

 

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

 

Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa

 

Após a leitura do Texto III, é legítimo estabelecer uma relação com os dois textos anteriores. Em cada situação, há a possibilidade de leituras alternativas da mesma realidade, o que nos leva a dizer que:

  1. há uma semelhança entre os dois primeiros textos, cujos autores procuram descrever o ambiente, enquanto o terceiro é um exemplo de hibridismo textual.
  2. há, no texto poético, um sentimento de pequenez em relação ao mundo, enquanto, nos demais textos, o rio é decisório no destino dos personagens.
  3. há uma unidade quanto ao tema e à tipologia entre os três textos.
  4. as ações se passam no mesmo cenário urbano, porém o foco narrativo é diverso.
  5. os três textos são exemplos de hibridismo e multifuncionalidade textual.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Alternativa B está correta: no poema há um sentimento de pequenez diante do mundo, enquanto, nos demais textos, o rio assume papel decisório no destino dos personagens.

O eu lírico contrapõe o Tejo — símbolo do alcance, da história e da viagem — ao rio da minha aldeia, que pertence a poucos e é mais livre; essa oposição revela uma visão intimista e contida. Frases como "O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele." realçam a experiência local, imediata e de pouco impacto sobre o mundo amplo.

Por isso, o poema privilegia a interioridade e a sensação de pequenez relativa ao vasto mundo, enquanto nos outros textos o curso do rio age como força que determina acontecimentos e destinos. Essa diferença de foco explica a escolha da alternativa.

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