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Questão FC869933

Policial registra B.O. em forma de poesia: “na mansidão do silêncio noturno” O agente relatou no documento um caso de furto de maneira poética e explicou como a trama ocorreu. O te

Tipologia e Gênero Textual

IDECAN · 2026

Policial registra B.O. em forma de poesia: “na mansidão do silêncio noturno”

 

O agente relatou no documento um caso de furto de maneira poética e explicou como a trama ocorreu. O texto foi alterado três dias depois.

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Um caso curioso ocorreu na Delegacia Seccional de Presidente Prudente (SP), em uma tarde comum de 25 de fevereiro. Na ocasião, um dos policiais registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) relatando um furto. Em vez do tradicional texto descritivo dos fatos, o agente decidiu relatar tudo em formato de poesia. A informação foi revelada pelo colunista Josmar Jozino, do UOL, na quinta-feira (30/5).

 

A vítima relatou, durante o registro do B.O., que um ladrão entrou em sua residência durante a madrugada e que teria roubado uma lavadora de alta pressão, uma tampa de tanque de combustível, 20 litros de gasolina e outros 20 litros de etanol.

 

O registro do documento, contudo, foi feito em formato de poesia pelo escrivão. A pedido do delegado da equipe de plantão, o B.O. foi alterado três dias depois. Ele entendeu que a primeira versão não seguiu os padrões de técnica da escrita policial. O novo documento conta apenas com quatro linhas.

 

Trechos do B.O. poético

 

Na mansidão do silêncio noturno, permeada pela penumbra que abraça os segredos da calada madrugada, o vilão de nossa trama, qual sombra furtiva, penetrou na propriedade da respeitável vítima.

 

Neste ato de profanação, destemido e sorrateiro, desfez a barreira da intimidade alheia e arrebatou consigo os objetos que figuram na relação dos despojos.

 

À propriedade da vítima coube servir de palco para a execução deste sórdido enredo. Na ausência de sentinelas visuais, as câmeras de monitoramento permaneceram omissas, incapazes de registrar os passos furtivos do agente do mal.

 

Deixou sua marca indelével como um sinal no trilho do rastejar do agressor, tal o rastro de uma serpente que insinua sua presença. Sobre o lamento do silêncio, testemunhas não surgiram para narrar o ato infame, e a propriedade da vítima transformouse, por um breve lapso temporal, em palco de desventuras e dissabores.

 

Ao sabor do destino, este registro serve como crônica dos eventos que se desenrolam na quietude da noite, evocando uma afronta à segurança, e trazendo à tona a necessidade imperiosa de restabelecer a paz usurpada.

 

E assim, como pluma ao vento, se finda o relato, aguardando a justiça como derradeira sentença, na esperança de que a luz da verdade dissipe as trevas que encobrem este capítulo indesejado da existência da vítima.

 

O Boletim de Ocorrência (B.O.) é um gênero textual amplamente utilizado no âmbito jurídico-administrativo. Considerando suas características estruturais, linguísticas e funcionais, assinale a alternativa correta.

  1. Trata-se de um gênero predominantemente narrativo, marcado pela subjetividade e pelo uso de uma linguagem polissêmica.
  2. Apresenta finalidade estética, organizando os fatos de forma linear, com linguagem conotativa e expressiva.
  3. Caracteriza-se por registrar fatos de maneira objetiva, com linguagem referencial, impessoal e padronizada.
  4. Configura-se como gênero argumentativo, uma vez que busca o convencimento e a persuasão por meio de um relato técnico.
  5. É um gênero literário híbrido, que combina elementos da crônica e do relato autobiográfico.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Boletim de Ocorrência (B.O.) é um documento técnico cujo objetivo principal é registrar fatos com precisão para fins administrativos e judiciais. Por isso, deve usar linguagem objetiva: predomínio de informações verificáveis em vez de opiniões ou comentários.

Adota-se linguagem referencial, isto é, denotativa e factual, para garantir clareza e evitar ambiguidades. Deve constar sequência cronológica, local, data, hora, identificação de pessoas, descrição dos bens e de provas, quando houver.

O registro é impessoal: o narrador relata o ocorrido sem inserção de juízos de valor ou recursos expressivos. Também é padronizado: segue modelos e termos técnicos que permitem leitura uniforme por delegados, promotores e tribunais.

Essas características asseguram a utilidade probatória do B.O., a rastreabilidade dos atos e a continuidade das medidas investigativas.

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