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Questão FC869934

Policial registra B.O. em forma de poesia: “na mansidão do silêncio noturno” O agente relatou no documento um caso de furto de maneira poética e explicou como a trama ocorreu. O te

Tipologia e Gênero Textual

IDECAN · 2026

Policial registra B.O. em forma de poesia: “na mansidão do silêncio noturno”

 

O agente relatou no documento um caso de furto de maneira poética e explicou como a trama ocorreu. O texto foi alterado três dias depois.

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Um caso curioso ocorreu na Delegacia Seccional de Presidente Prudente (SP), em uma tarde comum de 25 de fevereiro. Na ocasião, um dos policiais registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) relatando um furto. Em vez do tradicional texto descritivo dos fatos, o agente decidiu relatar tudo em formato de poesia. A informação foi revelada pelo colunista Josmar Jozino, do UOL, na quinta-feira (30/5).

 

A vítima relatou, durante o registro do B.O., que um ladrão entrou em sua residência durante a madrugada e que teria roubado uma lavadora de alta pressão, uma tampa de tanque de combustível, 20 litros de gasolina e outros 20 litros de etanol.

 

O registro do documento, contudo, foi feito em formato de poesia pelo escrivão. A pedido do delegado da equipe de plantão, o B.O. foi alterado três dias depois. Ele entendeu que a primeira versão não seguiu os padrões de técnica da escrita policial. O novo documento conta apenas com quatro linhas.

 

Trechos do B.O. poético

 

Na mansidão do silêncio noturno, permeada pela penumbra que abraça os segredos da calada madrugada, o vilão de nossa trama, qual sombra furtiva, penetrou na propriedade da respeitável vítima.

 

Neste ato de profanação, destemido e sorrateiro, desfez a barreira da intimidade alheia e arrebatou consigo os objetos que figuram na relação dos despojos.

 

À propriedade da vítima coube servir de palco para a execução deste sórdido enredo. Na ausência de sentinelas visuais, as câmeras de monitoramento permaneceram omissas, incapazes de registrar os passos furtivos do agente do mal.

 

Deixou sua marca indelével como um sinal no trilho do rastejar do agressor, tal o rastro de uma serpente que insinua sua presença. Sobre o lamento do silêncio, testemunhas não surgiram para narrar o ato infame, e a propriedade da vítima transformouse, por um breve lapso temporal, em palco de desventuras e dissabores.

 

Ao sabor do destino, este registro serve como crônica dos eventos que se desenrolam na quietude da noite, evocando uma afronta à segurança, e trazendo à tona a necessidade imperiosa de restabelecer a paz usurpada.

 

E assim, como pluma ao vento, se finda o relato, aguardando a justiça como derradeira sentença, na esperança de que a luz da verdade dissipe as trevas que encobrem este capítulo indesejado da existência da vítima.

 

A partir do trecho a seguir, bem como do contexto de produção dos gêneros textuais, é correto afirmar que:

 

“A pedido do delegado da equipe de plantão, o B.O. foi alterado três dias depois. Ele entendeu que a primeira versão não seguiu os padrões de técnica da escrita policial. O novo documento conta apenas com quatro linhas.”

  1. o contexto corresponde ao ambiente situacional, mas não ao físico; por esse motivo, a situação relatada no texto não absorve uma linguagem poética.
  2. o contexto é essencial na produção dos gêneros, pois corresponde às conjunturas, materiais ou abstratas, que rodeiam um acontecimento ou fato.
  3. para a compreensão da mensagem de um texto, não é preciso entender o contexto ao qual ele pertence; sendo preciso tão somente que a mensagem transmitida pelo emissor seja inteligível para o receptor.
  4. o contexto está intimamente relacionado à semântica de determinada situação comunicativa. Logo, o tipo de linguagem, denotativa ou conotativa, é indiferente para a sua produção.
  5. o B.O. poético poderia permanecer em linguagem poética, uma vez que seria inteligível a apreciadores de poesias, cumprindo, assim, uma das especificidades do contexto: o estabelecimento de uma relação de identificação com seu leitor.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Contexto refere-se às conjunturas materiais e abstratas que envolvem uma situação comunicativa e determinam as escolhas de estilo e formato.

No caso, o Boletim de Ocorrência tem a função institucional de registrar fatos com precisão, objetividade e validade legal; esse contexto exige a técnica da escrita policial.

Quando o escrivão redige em tom poético, altera-se a adequação ao gênero: o texto deixa de atender às necessidades práticas e jurídicas do registro.

Por isso o delegado autorizou a alteração: a mudança não foi estética apenas, mas necessária para que o documento cumpra seu propósito no contexto institucional.

Em suma, os gêneros textuais nascem das demandas contextuais; entender o contexto é compreender por que certos recursos linguísticos são ou não apropriados.

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