Questão FC869949
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Instituto AOCP · 2026
Considere o texto a seguir para responder a questão
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um acha que fechará a discussão; o outro quer fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado que abordo uma miríade de temas. Seria eu um tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista, independentemente da matéria em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia. Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo, pensar e formular a opinião – mas a busca do engajamento em redes sociais estimula a pressa em postar. A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial. Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é: pensar profundamente exige tempo. Infelizmente, virou comum usar a IA como perna e não como a muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes. Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade. O provérbio “ o papel aceita tudo” vale também para o meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação, como o Our World in Data, que se vale de dados compilados pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais, mesmo de especialistas, não são condição suficiente para autoridade; é preciso checar se há validação por pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero entender o mundo que me cerca com seus grandes problemas e desafios. E gosto de trazer esta inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento quantitativo e a fonte das minhas análises – o que automaticamente abre a possibilidade de outros também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-o curioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-
o-curioso-um-acha-que fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan. 2026.
Assinale a alternativa na qual a reescrita do excerto esteja correta quanto à pontuação e o sentido do excerto original seja mantido.
- “O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo […]”. Reescrita: É fundamental consumirmos o conteúdo integral no tempo correto.
- “Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas.”. Reescrita: Nossas crenças sempre serão corroboradas por determinadas fontes, ainda que sejam, contraditórias.
- “Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação […]”. Reescrita: A melhor maneira, de se avaliar uma boa fonte, é verificar se autores famosos a utilizam.
- “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]”. Reescrita: Não me oponho a que se opine sobre temas diversos.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A reescrita Não me oponho a que se opine sobre temas diversos preserva a ideia do original: o autor não rejeita que se expressem opiniões sobre assuntos variados.
Há correspondência semântica clara entre os trechos: "não sou contrário a" = "não me oponho a"; "uma ampla gama de temas" = "temas diversos"; "a opinar" foi para "a que se opine", mudança sintática aceitável em paráfrase.
Quanto à norma, não se emprega crase em "a que" porque há preposição + conjunção integrante, não artigo. O uso de "se" indetermina o sujeito e mantém o verbo na 3.ª pessoa do singular, adequado ao contexto.
Não há necessidade de vírgulas; a construção é ordenada e mantém o sentido e a pontuação corretos.
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