FC ConcursosFC Concursos

Questão FC869954

Leia o texto a seguir para responder a questão: Alucinações musicais Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e se torna, por assim dizer,D) patológica, como quando

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

VUNESP · 2026

Leia o texto a seguir para responder a questão:

 

Alucinações musicais

 

Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e se torna, por assim dizer,D) patológica, como quando determinado fragmento de uma música se repete incessantemente por dias a fio e às vezes nos irrita. Essas repetições, em geral uma frase ou tema breve e bem definido de três ou quatro compassos, tendem a continuar por horas ou dias, circulando na mente, antes de desaparecer pouco a pouco. Essa repetição interminável e o fato de que a música em questão pode ser banal ou sem graça, não nos agradar ou até mesmo ser abominável, indica um processo coercivo: a música entrou e subverteu uma parte do cérebro, forçando-o a disparar de maneira repetitiva e autônoma (como pode ocorrer com um tique ou uma convulsão). Vem daí o termo em inglês earworms (algo como “vermes de ouvido”).

 

Obviamente, na própria música existem tendências inerentes à reiteração. Nossos poemas, baladas e canções são ricos em repetições. Cada obra de música clássica possui suas marcas para indicar as repetições ou variações sobre um tema, e os nossos maiores compositores são mestres da repetição; as rimas infantis e as cantigas que ensinamos às crianças pequenas têm coros e refrões. Somos atraídos pela repetição, mesmo quando adultos; queremos o estímulo e a recompensa várias vezes, e a música nos dá.

 

Embora sem dúvida existam earworms desde que nossos antepassados pela primeira vez tocaram notas em flautas de osso ou tamborilaram em troncos caídos, é significativo que o termo só tenha entrado para o uso comum em décadas recentes. Quando Mark Twain escrevia sobre o assunto nos anos 1870, havia bastante música para se ouvir, mas ela não era onipresente. Para ouvir música instrumental, quem não possuía piano ou outro instrumento em casa tinha de ir à igreja ou a um concerto.A) Tudo isso mudou radicalmente com o advento das gravações, das transmissões radiofônicas e dos filmes. De repente, a música passou a estar por toda parte, e a magnitude dessa disponibilidade multiplicou-se muitas vezes nas duas últimas décadas. Hoje estamos cercados por um incessante bombardeio musical, queiramos ou não.C)

 

Metade de nós vive plugada em iPods, 24 horas imersa em concertos com repertório da própria escolha, praticamente alheia ao ambiente. E para quem não está plugado há a música incessante, inevitável e muitas vezes ensurdecedora nos restaurantes, bares, lojas e academias. Essa barragem musical gera certa tensãoE) em nosso sistema auditivo primorosamente sensível, o qual não pode ser sobrecarregado sem temíveis consequências. Uma delas é a grave perda de audição encontrada em parcelas cada vez maiores da população, mesmo entre os jovens e particularmente entre os músicos. Outra são as irritantes músicas que não saem da cabeça, que chegam sem ser chamadasB) e só vão embora quando bem entendem. Podem não passar de anúncios de creme dental, mas neurologicamente são irresistíveis.

 

(Oliver Sacks, Alucinações musicais: relatos sobre a música e o cérebro. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.

  1. Para ouvir música instrumental, quem não possuía piano ou outro instrumento em casa recorria à concertos... (3º parágrafo)
  2. Outra consequência diz respeito à músicas irritantes que não saem da cabeça, que chegam sem ser chamadas… (4º parágrafo)
  3. Hoje estamos incessantemente expostos à escutar música, queiramos ou não. (3º parágrafo)
  4. Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e conduz à patologia, por assim dizer… (1º parágrafo)
  5. Essa barragem musical submete nosso sistema auditivo primorosamente sensível à uma certa tensão... (4º parágrafo)
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

Às vezes é uma locução adverbial consagrada que exige a preposição a seguida do artigo definido plural as: a + as = às vezes.

Em conduz à patologia, o verbo conduzir (no sentido de "levar a", "resultar em") rege a preposição a. O substantivo patologia admite o artigo definido a, portanto ocorre a fusão preposição + artigo: a + a = à.

Um teste simples confirma: com termo masculino correspondente, diz-se conduz ao estado patológico, mostrando o mesmo fenômeno (a + o = ao). Assim, ambas as ocorrências do acento grave na frase estão em conformidade com a norma-padrão.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo