Questão FC888965
O trecho a seguir, extraído de uma entrevista, apresenta uma reflexão sobre a relação entre forma urbana, escala humana, percepção e comportamento dos usuários do espaço construído
Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo
FGV · 2026
O trecho a seguir, extraído de uma entrevista, apresenta uma reflexão sobre a relação entre forma urbana, escala humana, percepção e comportamento dos usuários do espaço construído.
“No passado, as cidades eram construídas para as pessoas, em uma escala humana, que eu chamo de arquitetura a cinco quilômetros por hora. Isso significa espaços menores, sinalizações menores, à altura do nosso olhar. Uma arquitetura sensual. Mas, de repente, surgiu a necessidade de se produzir arquitetura a sessenta quilômetros por hora, com espaços grandes, sinalizações grandes, com quase ou nenhuma atenção para o detalhe. Afinal, nesse contexto, nem conseguimos enxergar as pessoas. Eu penso que essa arquitetura a sessenta quilômetros por hora nos confundiu profundamente, levando-nos a esquecer a arquitetura a cinco quilômetros por hora e a escala humana.”
PISEAGRAMA, Belo Horizonte, seção Extra!
A fala corresponde às concepções de
- Le Corbusier, autor de Urbanismo.
- Francis Keré, autor de Radically Simple.
- Aldo Rossi, autor de A arquitetura da cidade.
- Jan Gehl, autor de Cidades para Pessoas.
- Lúcio Costa, autor de Registro de uma Vivência.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Jan Gehl, autor de Cidades para Pessoas, defende a prioridade da escala humana na concepção urbana. A metáfora de "arquitetura a cinco quilômetros por hora" contrapõe o espaço pensado para pedestres ao espaço pensado para veículos, enfatizando que dimensões, sinalizações e detalhes devem estar à altura do olhar e dos sentidos humanos.
Gehl mostra que projetar para a velocidade do automóvel resulta em ambientes impessoais, com pouca atenção ao detalhe e fraca qualidade para o convívio. Seu enfoque valoriza a observação do comportamento dos usuários e intervenções que promovam caminhabilidade, permanência e interação social, como fachadas ativas, mobiliário, sombra e percursos curtos.
Assim, a fala da questão sintetiza a crítica de Gehl ao urbanismo centrado no automóvel e sua proposta por cidades que favoreçam experiência sensorial, conforto e vida pública.
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