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Questão FC888983

O debate sobre o direito à cidade evidencia profundas contradições entre a produção do espaço urbano e a lógica de valorização do capital. Considerando o pensamento teórico de Davi

Urbanismo

FGV · 2026

O debate sobre o direito à cidade evidencia profundas contradições entre a produção do espaço urbano e a lógica de valorização do capital.

 

Considerando o pensamento teórico de David Harvey sobre a organização das cidades, a apropriação do espaço urbano e as desigualdades produzidas pela dinámica capitalista, marque a opção que melhor representa sua abordagem.

  1. A produção do espaço e dos monopólios espaciais tornam-se parte integrante da dinámica da acumulação, em virtude da natureza mesma dos espaços e lugares criados e produzidos em que esses movimentos ocorrem.
  2. A organização do espaço urbano é determinada principalmente por decisões individuais e escolhas racionais dos agentes, sendo o mercado capaz de equilibrar de forma eficiente o acesso à cidade.
  3. As desigualdades socioespaciais decorrem fundamentalmente de falhas institucionais e de governança, e não da lógica estrutural do capitalismo.
  4. A configuração das cidades resulta prioritariamente de práticas culturais e interações cotidianas, sendo secundária a influência das dinâmicas econômicas na produção do espaço.
  5. O Estado atua como agente neutro na organização do espaço urbano, garantindo condições equitativas de acesso à cidade independentemente das relações de mercado.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Para Harvey, a cidade não é um cenário neutro; é resultado da produção do espaço subordinada às relações capitalistas. Espaços urbanos são construídos e organizados de modo a gerar e capturar valor.

Monopólios espaciais surgem quando terrenos, infraestruturas e empreendimentos concentram controle e rendas, tornando-se instrumentos da acumulação. O próprio caráter físico dos lugares facilita apropriação e extração de lucro.

O capital busca fixar-se no espaço por meio de investimentos duráveis, requalificações e especulação. Esses processos funcionam como um remédio espacial para crises de acumulação, realocando capital e produzindo vantagens monopolísticas.

O resultado é a reprodução de desigualdade: expulsão, segregação e mercantilização do cotidiano. A disputa pelo espaço urbano torna-se, portanto, disputa pelo controle dos fluxos de valor.

Daí decorre a urgência do direito à cidade: a necessidade de reapropriação democrática do espaço para contrariar a lógica da valorização capitalista.

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