Questão FC114729
Texto CG3A1 A crise durou minutos. Fiquei encolhido, trêmulo, com a testa gelada, o corpo retesado, os músculos das costas contraídos e a boca cerrada para não bater os dentes, à e
Morfologia
CEBRASPE (CESPE) · 2024
A crise durou minutos. Fiquei encolhido, trêmulo, com a testa gelada, o corpo retesado, os músculos das costas contraídos e a boca cerrada para não bater os dentes, à espera do calor que as cobertas não traziam.
O termômetro marcou 40,2 graus. Os calafrios eram o prenúncio de uma doença que por pouco não me levou desta para outra melhor, como diria minha avó. Tomei um comprimido de dipirona e dormi novamente. Às sete, levantei indisposto, com o corpo moído e as pernas combalidas, para ir a uma reunião na faculdade de medicina.
Foi uma luta para não pegar no sono no meio da discussão. No jardim da faculdade, a caminho da rua, achei prudente voltar para casa. Um pouco de repouso me deixaria em condições de ir à penitenciária do estado depois do almoço, para o atendimento aos presos, atividade iniciada nesse presídio após a implosão do Carandiru.
Apesar da intenção, não consegui sair. Passei a tarde qual cachorro decrépito, caindo em cima do computador enquanto tentava escrever minha coluna de jornal. Afora a falta de energia, no entanto, nenhum sintoma de gripe, resfriado ou outra enfermidade.
À noitinha a febre retornou alta, acompanhada dos mesmos calafrios e de dor nas costas. Tentei fazer o que muitas vezes aconselhei a meus pacientes nessas crises: respirar fundo e relaxar. Não sei onde aprendi recomendação tão inútil para quem não é monge budista nem vive nas montanhas do Tibete. Relaxar, com o corpo tremendo feito vara verde? Na febre alta, as toxinas cravam as garras nos músculos e entorpecem o cérebro. O pensamento fica fragmentado, fugidio, em estado de introspecção. A astenia deixa o corpo avesso aos mínimos esforços.
Considerando os tempos e modos verbais empregados no texto CG3A1, julgue o item seguinte.
Com base no tempo e no modo em que está flexionada a forma verbal “cravam” (antepenúltimo período do último parágrafo), conclui-se que a ação por ela designada é habitual.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O verbo "cravam" está no presente do indicativo, tempo-modo usado para enunciar fatos tomados como certos no presente, verdades gerais ou ocorrências habituais.
Nesse contexto, o autor não relata um episódio isolado, ele descreve uma reação típica da febre alta: as toxinas, habitualmente, "cravam as garras nos músculos" e "entorpecem o cérebro". O uso do presente transforma a sequência em uma generalização sobre o que costuma acontecer nessas crises, funcionando como regra ou característica da condição.
Portanto, a afirmação é certa, porque o presente do indicativo foi empregado para indicar uma ação habitual ou fato geral associado à febre alta.
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