Questão FC114757
Texto CB1A1 Embora as instituições nacionais ligadas à soberania venham atuando nas últimas décadas em suporte às políticas ambientais brasileiras, a relação entre as duas esferas
Sintaxe
CEBRASPE (CESPE) · 2025
Embora as instituições nacionais ligadas à soberania venham atuando nas últimas décadas em suporte às políticas ambientais brasileiras, a relação entre as duas esferas nem sempre se deu em bases cooperativas. Partindo-se de uma compreensão estreita da segurança, a preservação do meio ambiente foi vista, durante certo tempo, não como uma precondição para se garantir a segurança nacional e humana, mas como uma ameaça à integridade territorial e aos interesses nacionais brasileiros. Temia-se, nesse sentido, que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional, de forma a representar riscos às fronteiras nacionais e ao direito soberano do país de gerenciar seus recursos naturais de maneira autônoma, em busca do desenvolvimento.
Vigorava, portanto, a compreensão de que assumir compromissos de cooperação na arena ambiental implicaria o decréscimo da soberania nacional. O posicionamento defendido pela delegação brasileira durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano (CNUMAH), realizada em Estocolmo em 1972, seria sintomático desse entendimento: “Na área do aproveitamento de recursos naturais, os interesses nacionais, em termos econômicos e de segurança, são de tal monta, que qualquer fórmula que, sob o pretexto ecológico, impusesse uma sistemática de consulta para projetos de desenvolvimento seria simplesmente inaceitável para o Brasil.”
Nas décadas posteriores, as interpretações relativas às preocupações ambientais foram gradualmente transformadas, tanto no âmbito da sociedade quanto em meio às instituições de defesa. O processo de redemocratização, o fortalecimento de organizações da sociedade civil, o avanço dos estudos científicos e a consolidação de uma estrutura federal de governança ambiental favoreceram essas novas percepções e, sobretudo, a aproximação desses dois setores.
Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto CB1A1.
No primeiro período do segundo parágrafo, o trecho “a compreensão (...) nacional” funciona como complemento direto da forma verbal “Vigorava”.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADO porque confunde a função sintática do segmento. Ao analisar a oração, primeiro identifique o sujeito, não o complemento.
No período "Vigorava, portanto, a compreensão de que ...", perguntando-se ao verbo "vigorava" o que vigorava?, obtém-se "a compreensão de que ...". Esse segmento é, portanto, o sujeito da oração.
Além disso, o verbo "vigorar" é classificado como verbo intransitivo no sentido de "prevalecer" ou "estar em vigor", ele não exige nem admite objeto direto. Logo, o trecho não funciona como complemento direto da forma verbal.
Regra prática: sempre localize o sujeito antes de apontar objetos; assim evita-se classificar indevidamente um sujeito como complemento verbal.
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