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Questão FC114783

Abre-se uma janela do Centro Operário. Será a aula de Dona Palmira em 1920 ou há reunião para discutir os estatutos? Durante toda a minha infância, eles discutiram os estatutos. Eu

Concordância (Verbal e Nominal)

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Abre-se uma janela do Centro Operário. Será a aula de Dona Palmira em 1920 ou há reunião para discutir os estatutos? Durante toda a minha infância, eles discutiram os estatutos. Eu não podia entender nada, mas havia pontos terrivelmente sérios. Era “Centro Operário de Proteção Mútua” ou “Centro Operário E de Proteção Mútua”? Pela noite afora, ano após ano, um mulato meio velho e magro, de óculos, o dedo em riste, a voz rascante, atacava com extraordinária ferocidade aquele E. Não conseguiu derrubá-lo; os operários talvez se sentissem fracos, sozinhos, precisavam daquele E que os conjugava com outras camadas sociais. Ficou o E, meu pai foi diretor e, quando morreu, teve auxílio no enterro, tudo sem ser operário, tudo graças àquele E. Sem o E eu talvez não tivesse estudado ali, não me sentaria no comprido banco, onde o último da esquerda era o preto Bernardino, e à direita, o rosto lindo de Lélia, com seus cabelos doces e uma covinha quando sorria. Quando não estavam discutindo os estatutos, ou providenciando um enterro de sócio, com a bandeira do Centro em cima do caixão, os operários E todos que queriam proteção mútua estavam dançando; sons de pistom atravessam meu sono infantil; eu achava estranho e ao mesmo tempo alegre e feliz haver baile na mesma sala onde eu tinha aulas.

Rubem Braga. Em Cachoeiro. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2003, p.55 (com adaptações).

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

Na oração “mas havia pontos terrivelmente sérios” (quarto período), a flexão da forma verbal “havia” no singular justifica-se por ser facultativa sua concordância com “pontos terrivelmente sérios”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque, no trecho, o verbo haver tem valor existencial, equivalente a existir, e nesse uso é impessoal. Verbos impessoais não variam em número, portanto só aparecem na 3.ª pessoa do singular, por isso havia está correto e a concordância com "pontos terrivelmente sérios" não é facultativa.

Regra prática: quando haver significa "existir" ou "ocorrer", diz-se sempre há/havia, mesmo diante de sujeito plural. Exemplos: Havia muitos livros na mesa, nunca *haviam muitos livros.

No texto, a forma havia apenas relata a existência desses pontos, não exige concordância com o substantivo plural, logo a justificativa do item é incorreta.

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